Tecendo os fios da Educação e da Informação Ambiental sobre o lugar do lixo
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O presente estudo investiga a assimilação da informação: “lugar do lixo é no lixo” através da análise de depoimentos textuais e gráficos de três grupos de alunos da 4ª série do ensino fundamental. Para isso, foram utilizadas como base as oficinas de reciclagem artesanal de papel do Projeto Recicloteca da ONG Ecomarapendi, uma prática da Educação Ambiental que teve seu valor agregado ao serem transformadas em agregados de informação, segundo definição da Ciência da Informação, passando a serem denominadas de oficinas experimentais. Os resultados da pesquisa apontaram que a informação foi assimilada por um número significativo de crianças revelando a coerência e atualidade dessa pesquisa na problemática dos resíduos sólidos [lixo].
INTRODUÇÃO
Este artigo é resultado da minha dissertação de mestrado: “Lugar do lixo é no lixo: estudo de caso de assimilação da informação”, sob orientação da Profa. Dra. Isa Maria Freire, e inserida no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação pelo Convênio CNPq/IBICT – UFRJ/ECO. O artigo teve como objetivo agregar valor a uma prática de Educação Ambiental (EA) relacionada à questão dos resíduos sólidos: as oficinas de reciclagem artesanal de papel. As oficinas foram enquadradas na perspectiva da Ciência da Informação e sua “responsabilidade social [de] facilitar a comunicação do conhecimento [científico] para aqueles que dele necessitam, na sociedade” (WERSIG e NEVELLING (1975) apud FREIRE, 1995, p. 133), retomado por FREIRE em 2001. Utilizou-se dos construtos de agregados de informação de BARRETO (1996) com contribuições de FREIRE (1987) e PEREIRA (1998).
Ele diz respeito à uma informação ambiental: local de disposição do lixo – tema que é alvo de preocupação em cidades grandes como o Rio de Janeiro, onde 40% do lixo coletado regularmente vem da disposição inadequada pela população em ruas e calçadas.
O propósito deste trabalho foi investigar o processo de assimilação de uma informação sobre a correta disposição dos resíduos sólidos, transmitida com o propósito de gerar conhecimento em seus usuários — crianças da 4ª série do ensino fundamental de escolas do município do Rio de Janeiro (RJ). A investigação foi realizada através da produção de oficinas experimentais de informação ambiental para transferir a informação “lugar do lixo é no lixo”; e da verificação da ocorrência de assimilação da informação, através da análise de formulários com depoimentos textuais e gráficos sobre a informação recebida.
As oficinas são uma prática da EA, cuja área esteve a princípio, restringida às ciências naturais e ecologia, mas passa mais tarde (como na trajetória do movimento ambiental), a considerar a relação sociedade/natureza e suas questões sociais, econômicas, políticas, culturais e éticas. VASCONCELLOS (1998), a defini como uma “nova visão do mundo, em que cada parte tem valor em si própria e como parte do conjunto”.
Apesar de até bem pouco tempo estar também restrita ao âmbito escolar, hoje a EA encontra-se incluída em todas as iniciativas que visem a conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente e conseqüentemente da qualidade de vida, como pode ser visto na nova Lei de Educação Ambiental (Lei n. 3325 de 17 de dezembro de 1999). Sua abrangência, embasada nessa mesma lei, vai desde as instituições educativas (em todos os níveis e modalidades), os meios de comunicação de massa, as empresas, os órgãos públicos, os sindicatos, as organizações não-governamentais, os movimentos sociais até a sociedade como um todo. Dentre as linhas de atuação apresentadas, ressaltam-se a capacitação de recursos humanos, chamando atenção para a incorporação da dimensão ambiental na formação, e o desenvolvimento de estudos, pesquisas e experimentações, ressaltando-se a difusão de informações sobre a questão ambiental.
Preocupada também com a difusão da informação, a Ciência da Informação foi aqui escolhida por ser um campo de
“[de] investigação científica e prática profissional que trata dos problemas de efetiva comunicação de conhecimentos e de registros do conhecimento entre seres humanos, no contexto de usos e necessidades sociais, institucionais e/ou individuais de informação” (SARACEVIC, 1992 apud PINHEIRO, 1999, p. 158).
Dentro dessa ótica, abordaremos uma das ramificações da informação científica – a informação ambiental – (segundo PONTE, 2000), que tem seu elemento-chave no bem estar coletivo (TAVARES e FREIRE, 2002). A informação ambiental é definida por TARGINO (1994, p. 62) como “(…) dados, informações, metodologias e processos de representação, reflexão e transformação da realidade, (…)”, atua na mudança de condutas e comportamentos, tendo papel fundamental na preservação ambiental, subsidiando nossa ação no mundo e diminuindo incertezas diante do meio ambiente (FREIRE e ARAUJO, 1999), quer seja natural ou construído pelo homem.
1. INFORMAÇÕES RELEVANTES SOBRE RESÍDUOS SÓLIDOS (MAIS CONHECIDOS COMO LIXO)
Dentre as informações ambientais mais emergentes de nossa sociedade caracterizada pelo consumo e desperdício, está a geração maciça de resíduos sólidos. Aliado à isso, e não menos importante em especial nos grandes centros urbanos, a população não se sente responsável pela disposição do seu lixo. Como observa CARREGAL (1992, p. 14): “o brasileiro não vê a rua como espaço seu, e sim do governo (…)”.
Frente à essa situação, os autores que trabalham com o tema são unânimes em dizer que o emprego de medidas educativas é fator preponderante na mudança do quadro da limpeza pública. Não basta o investimento em equipamentos, é necessário trabalhar para uma nova mentalidade que produza atitudes diferentes modificando hábitos. E aí é que se insere a importância da educação ambiental e da informação ambiental cujos trabalhos podem contribuir no avanço da conscientização sobre a problemática sócio-ambiental e na revalorização do espaço público.
Comparando-se a educação ambiental e a informação ambiental, nota-se que estão intimamente relacionadas e apresentam alguns pontos relevantes:
- desenvolvimento de capacidades para tomadas de decisões;
- sensibilização com tomada de consciência dos meios de comunicação, de sua função educativa na formação de atitudes do consumidor;
- intercâmbio de informações e materiais entre organismos públicos e privados;
- investigação e aplicação de modelos eficazes de informação junto com educação e formação ambiental;
- ser a primeira tarefa da Agenda 21, que é informar as pessoas sobre o programa e levantar as questões de como elas podem melhorar sua qualidade de vida (MMA, 2002).
Nesse sentido, será enfocado a seguir a atuação da Organização Não-Governamental (ONG) Ecomarapendi, um espaço de educação ambiental não-formal que veicula a informação ambiental.
1.1. ECOMARAPENDI E O PROJETO RECICLOTECA
A Associação Ecológica Ecomarapendi, vulgo Ecomarapendi, é uma entidade não-governamental criada em 1989. Das áreas enfocadas, a geração de resíduos sólidos e o desperdício foram de relevante importância, culminando em 1992 com a criação do Projeto Recicloteca – um Centro de Informações sobre Reciclagem e Meio Ambiente, com o patrocínio da Brahma (atualmente Ambev). A Recicloteca tem como objetivo difundir informações sobre as questões ambientais, em especial os 3 erres (reduzir, reutilizar e reciclar) – dentro da prática da Educação Ambiental, de forma a sensibilizar o público em geral.
O Projeto Recicloteca atende à um público diversificado e disponibiliza documentos diversos relativos ao tema, um sítio virtual, produtos reciclados e reaproveitados, consultores especializados e oficinas de reaproveitamento e reciclagem artesanal de papel além de outras vivências práticas.
Dentre as atividades oferecidas, escolheu-se as oficinas de reciclagem artesanal de papel como objeto dessa pesquisa. Elas ocorrem como parte das visitas orientadas à Recicloteca, localizada na sede da Ecomarapendi, e são desenvolvidas em cinco etapas:
(1) discussão sobre reciclagem de resíduos sólidos; (2) exibição da reprodução de uma árvore feita de materiais reaproveitados; (3) exibição de objetos reaproveitados organizados em uma pequena exposição; (4) exibição de uma fita de vídeo sobre a problemática dos resíduos sólidos; e (5) a oficina de reciclagem artesanal de papel propriamente dita. As visitas orientadas são organizadas para grupos de até 30 pessoas, têm a duração total de cerca de 2 horas e seu agendamento é feito pela professora ou coordenadora de uma escola interessada, que liga para a Ecomarapendi e marca a data com um dos consultores.
As oficinas, objeto desta pesquisa, são uma das práticas de EA e ocorrem num espaço não-formal de educação que, apesar de não ser formalmente uma escola, tem a mesma função social de “transmitir conhecimento” (PEREIRA, 1998, p. 12). Nesse sentido, a escola (e, por extensão, o Projeto Recicloteca), é um espaço informacional, onde
“a comunicação e a interação pessoais, o acesso e a troca de informações podem levar à mudança, à possibilidade, enfim de reflexão (…) onde os agentes e os sujeitos da ação pedagógica atuam a partir de tipos de informações que são aquelas valorizadas socialmente, elaborando práticas sobre os significados, de acordo com regras, válidas para esse espaço, especificamente” (MARTELETO, 1992, p. 238).
Por outro lado, nossa pesquisa levará em consideração a afirmação de BARRETO (1995) de que
“as comunidades urbanas privilegiam as informações sobre o cotidiano em que vivem e para que a informação provoque um efeito inovador, deve ser respeitada esta relação da comunidade com o seu cotidiano” (p. 4).
Esse princípio é essencial não somente para a Ciência da Informação mas, também, para a área da Educação Ambiental, cujos trabalhos também se referem à maneira como é conduzida a informação, para proporcionar:
“… os conhecimentos necessários à compreensão do ambiente de modo a promover uma consciência social capaz de gerar atitudes que alterem os comportamentos (…) que demonstre sensibilidade, responsabilidade, habilidades necessárias para buscar soluções para os atuais problemas ambientais” (DIAS, 1992, p. 27).
Neste sentido, o processo de transferência de informação no espaço social das oficinas de reciclagem artesanal de papel pode ser visto como prática da Educação Ambiental, utilizadas com intuito de modificar o comportamento de crianças de 6 a 15 anos com relação ao local de disposição apropriado do lixo.
Vale ressaltar que o conhecimento e a valorização de práticas que possibilitem a correta destinação do lixo é um dos itens de aprendizagem dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) inserido em Educação Ambiental. A E. A. é incluída como Tema Transversal do Meio Ambiente (entendido aqui como tema que permeia a concepção de diferentes áreas), no Bloco “Manejo e Conservação da Natureza” que, de acordo com a SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL (1998, p. 146), trata “das possibilidades, positivas e negativas de interferências dos seres humanos sobre o ambiente, apontando suas conseqüências.”
Dentro deste bloco, a referida secretaria propõe, uma série de atividades que vêm sendo empregadas pelas escolas das quais apresentaremos duas, que mais se aproximam dos objetivos desta pesquisa:
- apontar para os problemas à saúde humana e ambiental que a poluição e o lixo ocasionam;
- discutir os comportamentos responsáveis de produção e acondicionamento em casa e espaços comuns.
Estas atividades vêm sendo abordadas nas oficinas, identificadas como prática da Educação Ambiental, mas estudadas no campo da Ciência da Informação, demonstrando sua contribuição à área de EA, como espero mostrar a seguir.
2. SOB O OLHAR DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
Do campo da Ciência da Informação, utilizou-se o modelo teórico de BARRETO que considera a informação como “estruturas significantes com a competência e intenção de gerar conhecimento no indivíduo, em seu grupo, ou na sociedade” (BARRETO, 1999, p. 1).
Nesse quadro de referência, BARRETO utiliza o conceito de “assimilação da informação” como sendo
“(…) um processo de interação entre o indivíduo e uma determinada estrutura de informação, que vem gerar uma modificação em seu estado cognitivo, produzindo conhecimento, que se relaciona corretamente com a informação recebida” (1996, p. 406).
Conhecimento é definido pelo mesmo autor, como “toda a alteração provocada no estoque mental de saber acumulado do indivíduo proveniente de uma interação positiva com uma estrutura de informação” (op. cit.).
BARRETO ressalta que a relação informação/conhecimento só se realiza se a informação é percebida e aceita pelo receptor. Se não houver alteração nas estruturas de conhecimento do receptor, não aconteceu a assimilação da informação e conseqüentemente não se efetivou, positivamente, a relação informação/conhecimento.
O mesmo autor informa que as estruturas de informação são armazenadas ou estocadas nos chamados “agregados de informação”. Os “agregados” apresentam duas funções: produção e transferência de informação. A produção da informação está relacionada às atividades de reunião, seleção, processamento e armazenamento da informação, e estão representadas pelos estoques estáticos de informação. A transferência de informação é que efetiva a “possibilidade de gerar conhecimento” (negrito meu), facilitando a transmissão de mensagens para uma determinada realidade com objetivo de promover a criação de conhecimentos modificadores e inovadores do indivíduo e do seu contexto de forma a alcançarem um melhor estágio de desenvolvimento – na qual acontece a essência do fenômeno da informação (id., 1996).
A presente pesquisa irá unir os construtos dos agregados de informação de BARRETO e o conceito de agente de informação de WERSIG (1970), aplicados por I. FREIRE (1987) e adaptados por PEREIRA que acrescentou ao termo, a função de produção dos agregados, denominando-os de estoques dinâmicos de informação que para melhor exercer o seu papel de “agente” necessita “transformar-se, alterar continuamente seu estoque de conhecimento, atualizar-se” (PEREIRA, op. cit., p. 13), acrescentando valor ao seu próprio estoque de informação.
3. METODOLOGIA
A pesquisa teve caráter exploratório, segundo COSTA (1995), MINAYO (1994) e FREIRE (2002 – comunicação pessoal), tendo como intuito transformar as oficinas de reciclagem artesanal de papel do Projeto Recicloteca em “agregados de informação”, utilizando-se das premissas nas quais essas oficinas se fundamentam. As oficinas passaram então a ser chamadas de oficinas experimentais de informação ambiental.
Foi investigado o comportamento de crianças de 9 a 12 anos antes e após a realização das oficinas e através dos depoimentos das professoras e dos alunos, a partir de um roteiro semi-estruturado. O processo de assimilação da informação em si, foi investigado através da análise dos formulários com depoimentos em forma de texto e desenho produzidos pelas crianças, a pedido da pesquisadora.
3.1. AS OFICINAS EXPERIMENTAIS DE INFORMAÇÃO AMBIENTAL
As oficinas experimentais de informação ambiental apresentam dois tipos de estoques de informação no contexto de BARRETO com contribuições de FREIRE e PEREIRA:
- estoques estáticos, constituído por documentos — vídeos, folders e folhetos — contendo informação sobre o lixo, o desperdício e as formas de redução, reutilização e reciclagem dos materiais;
- estoques dinâmicos, representado pelos conhecimentos técnicos do consultor/facilitador responsável pela condução da oficina.
As modificações introduzidas, como parte do processo de produção de um agregado de informação, abrangeram: a escolha do vídeo (específico para a questão do local de disposição do lixo); a escolha das escolas e da série (de preferência às turmas de 4a série do primeiro segmento, cujos alunos já sabem ler e escrever, além de contarem com a mesma professora que os acompanhou nos anos anteriores); criação de estoques estáticos de informação adequados para os usuários (professoras e alunos):
- para os professores: um folder com o passo-a-passo da fabricação artesanal do papel reciclado disponível no Projeto Recicloteca, além de dicas de como diminuí-la e informações adicionais sobre as instituições envolvidas na pesquisa (IBICT, UFRJ e Associação Ecológica Ecomarapendi); e uma filipeta (adaptada do trabalho de FREIRE, 1998) contendo informações sobre a Ciência da Informação, o Programa de Pós-Graduação do Convênio CNPq/IBICT – UFRJ/ECO e os objetivos da pesquisa;
- para os alunos: um folder contendo a imagem de um garoto jogando papel na lata de lixo (imagem cedida pela Ecomarapendi), um certificado de participação na oficina, um jogo de palavras cruzadas e algumas dicas da importância do lugar do lixo,das formas de diminuir seu volume e as conseqüências para a preservação ambiental; e um saco de papel com a inscrição Lugar do lixo.
Além dessas modificações, foram alteradas as etapas de desenvolvimento da oficina experimental, enfatizando a informação [lugar do lixo é no lixo] na primeira e quarta etapas da oficina de reciclagem artesanal de papel e criando uma sexta etapa, momento em que os alunos participantes receberam os ‘estoques estáticos de informação’ e os formulários para verificação da assimilação da informação transferida.
4. PROCEDIMENTOS DA PESQUISA
A pesquisa teve como amostra três grupos de usuários, formados por alunos da rede escolar pública acompanhados de suas respectivas professoras, e um grupo de teste. Somente depois de completado o processo de observação [antes-durante-depois] de cada grupo de participantes da oficina experimental, é que um novo grupo foi estudado.
Foi fundamental, na construção do formato das oficinas experimentais, a participação da professora orientadora, que observou a atuação da ‘agente de informação’, sem deixar de mencionar o envolvimento dos alunos e a participação de suas professoras cuja cooperação foi inestimável.
A pesquisa foi feita em quatro fases, utilizando-se diferentes instrumentos de pesquisa, de forma a possibilitar a descrição do comportamento da amostra com relação à assimilação da informação transmitida. As fases da pesquisa são descritas, a seguir:
1ª fase - Apresentação do Projeto de Pesquisa para a direção da escola e para a professora, que caso aceitasse participar, marcava-se as visitas subseqüentes.
2ª fase - Entrevista 1 referente à 1a visita à escola pela pesquisadora: feita com os professores que receberam o folder e a filipeta.
3ª fase – Realização da oficina experimental de reciclagem artesanal de papel na ONG Ecomarapendi, quando os alunos e sua respectiva professora foram recebidos pela pesquisadora, contando com a participação da professora orientadora, além da cooperação dos consultores da Ecomarapendi. Nesta fase foram entregues o folder e o saco de lixo para os alunos, além dos formulários (para registro dos depoimentos deles) para as professoras.
4ª fase – Entrevista 2 referente à 2a visita à escola pela pesquisadora: a pesquisadora e sua orientadora, verificaram os resultados da transferência da informação sobre o lugar do lixo, até 15 dias após a visita à Recicloteca. Tanto as professoras quanto seus alunos foram entrevistados e nesta fase as professoras entregaram as folhas dos formulários preenchidas pelos alunos.
5. RESULTADOS
Como já exposto, pretendemos verificar se houve assimilação da informação quanto ao local de disposição do lixo e se esta pode ser atribuída, e em que medida, ao modelo adotado pela oficina experimental. Participaram da pesquisa 76 alunos entre 9 e 12 anos, dos quais 70 preencheram os formulários de avaliação e 3 professoras.
A oficina experimental foi considerada formatada pela orientadora no segundo dos três eventos da pesquisa, pois, a seu ver, a “agente de informação” conseguira enfatizar o local de disposição do lixo atuando satisfatoriamente nas funções de um “agregado de informação”.
Em relação aos formulários sobre a oficina experimental, foram analisados 70, sendo 67 em forma de texto e desenho e três apenas com texto. Quase todos os alunos (94% da amostra) entregaram os formulários com depoimentos sobre a oficina experimental, graças, sobretudo, à atuação das professoras, que tiveram papel fundamental na pesquisa (e a quem agradecemos profundamente).
Em relação ao objetivo geral da pesquisa, a “assimilação da informação” foi verificada através da análise de textos e desenhos. Observamos duas categorias de depoimentos: uma direta que mencionou explicitamente que o lugar do lixo é no lixo como expressado por um dos alunos: “… e finalizamos com chave de ouro onde aprendemos que lugar de lixo é no lixo”.; e duas indiretas que embora não mencionem o lugar do lixo, falaram sobre a cena do filme em que os moradores jogavam o lixo na rua ou comentaram que o lugar do lixo não era no chão como o aluno que diz que “jogar lixo na rua prejudica a mim mesmo (…)”,.
Os resultados indicam que 55% dos alunos participantes falaram sobre o local de disposição do lixo em seus depoimentos e desses 21% expressaram claramente que o lugar no lixo é no lixo. Em termos gráficos, apenas cinco alunos demonstraram explicitamente que o lugar do lixo é no lixo.
6. COMENTÁRIOS FINAIS
A abordagem do tema demonstra que a Educação Ambiental teve seus fios tecidos aos da Informação Ambiental no tear interdisciplinar da Ciência da Informação.
A análise dos depoimentos revelou que as oficinas experimentais funcionaram um pouco além das funções que BARRETO descreve nos ‘agregados de informação’ já que verificou-se a assimilação da informação [lugar do lixo é no lixo], sendo então transformadas em oficinas de informação ambiental .
Sabemos que a oficina de informação ambiental criada a partir desta pesquisa ainda precisa de ajustes apesar de já estar apta a ser utilizada em outros trabalhos tanto no campo da Educação Ambiental quanto no da Ciência da Informação, de modo a facilitar a transmissão do conhecimento para aqueles que dele necessitam, na sociedade.
Bibliografia Citada
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AGRADECIMENTOS
Ao Edson; a Profa Isa Maria Freire; a Profa Hedy S. R. Vasconcellos; a Diretora da Ecomarapendi, Vera Chevalier; a Secretaria Municipal de Educação; aos alunos, professoras e diretoras das escolas envolvidas; ao CNPq/IBICT e a Capes; aos professores e alunos do mestrado e doutorado do Ibict; aos consultores da Ecomarapendi/Projeto Recicloteca; a equipe do Dep-IBICT; as bibliotecas; aos companheiros da Rede Brasileira de Educação Ambiental e a todos aqueles que auxiliaram e que tenha deixado de mencionar.
Autora:
Carla Tavares
Rua Mundo Novo, nº 378, apt. 302, Botafogo, Rio de Janeiro, CEP: 22.251-020.
Endereço Institucional: Associação Ecológica Ecomarapendi/Projeto Recicloteca, Rua Paissandú, nº 362, Laranjeiras, Rio de Janeiro, CEP: 22.210-080.
Anais do VII Encontro de Educação Ambiental do Estado do Rio de Janeiro
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 23-25 de setembro de 2004
p. – 329 – 343
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18:22 em 16/03/2009
Olá Carla.
Meu nome é Eduardo Freire, moro em Cabo Frio-RJ, sou aluno do terceiro período de Engenharia de Produção, e este ano estarei coordenando um grupo de pesquisa na área de educação ambiental aqui na Universidade Veiga de Amlmeida, campus Cabo Frio.
No ano passado, promovemos, em parceria com a secretaria de meio ambiente local, uma coleta de lixo na praia, onde recolhemos e documentamos cerca de 17.200 ítens de lixo com um total de 118 alunos durante 3 horas. Para este ano, além da coleta em si, pretendemos extender nosso trabalho às escolas de ensino básico, fundamental e médio, a fim de difundir o conhecimento na área de educação ambiental, com foco na questão da correta destinação do lixo. Seu estudo relata com clareza e pontualidade, questões essenciais do processo de formaçao da correta consciência ambiental, utilizando-se de objeto um espaço não-formal de educação. Como estamos ainda em processo de formação da metodologia que iremos utilizar aqui, gostaria de lhe perguntar se você possui informações a respeito de estudos ou métodos utilizados para que a educação ambiental possa ocorrer dentro da instituição de ensino formal, dentro das escolas.
Grato com a tua colaboração, desde já meu muito obrigado, e por um mundo melhor e mais limpo, todos os dias!
Eduardo Freire