Projeto Pequeno Viveirista, RJ. Resultados Preliminares

Arquivado em: Anais do VII Encontro de EA do RJ


O Projeto PEQUENO VIVEIRISTA visa a capacitação e a conscientização ambiental de um grupo de adolescentes, de 14 a 17 anos, do sexo masculino, através de atividades que promovam seu desenvolvimento individual e social. O Projeto é patrocinado pela Prefeitura de Barra do Piraí, através do Fundo Municipal da Infância e do Adolescente (FMIA), que é administrado pelo Conselho Municipal em Defesa da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Barra do Piraí. O Fundo oferece aos adolescentes uma bolsa-auxílio mensal, vale transporte e uma merenda diária, em troca, os alunos aprendem a cuidar das plantas e do meio ambiente, ou seja, têm uma oportunidade de inserção no mercado de trabalho. O Projeto é realizado no Parque Florestal Municipal Nilo Peçanha, pela Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, com o apoio da Secretaria de Educação e Desporto e Secretaria de Assistência Social. Este é o segundo ano do Projeto, já formamos duas turmas, ou seja, 42 alunos passaram por um processo de conscientização ambiental. Em setembro de 2003, começará a 3ª turma do Projeto.

INTRODUÇÃO

Barra do Piraí é um município com cerca de 89.000 habitantes, situado na região geoeconômica mais importante do país, a região Sudeste. Apresenta uma área de 579,80 km² de extensão territorial e encontra-se localizada na Serra do Mar e na bacia do Rio Paraíba do Sul, que corta todo o município no sentido oeste-leste. Internamente está dividido em 5 Distritos, a saber: Barra do Piraí – sede; Dorândia; São José do Turvo; Vargem Alegre e Ipiabas.

A topografia do território municipal‚ acidentada, é constituída por morros arredondados denominados “meia laranja”. Pela ocorrência destas elevações‚ é reconhecida como um “mar de morros”, sendo característica a formação de pequenos vales, com escassas áreas planas, raramente contínuas, dificultando a acessibilidade e os assentamentos urbanos. A unidade topográfica descrita é marcada por dois vales principais: a do Rio Paraíba do Sul e do seu principal afluente no município, o Rio Piraí. Entretanto, mesmo ao longo desses rios, as áreas planas das duas várzeas são muito estreitas e descontínuas. A análise das declividades topográficas do município revela a existência de aproximadamente 890 ha. de terras com declives suaves, aceitáveis para urbanização, localizadas ao longo do vale.

O Município apresenta extensas áreas degradadas que necessitam de recuperação. Em princípio, a degradação foi devido à extração da madeira da Mata Atlântica, depois por sucessivas culturas, ao longo da sua história, como a do café, e mais recentemente, pela pecuária extensiva e pelas constantes queimadas que ocorrem no período da seca.

Dentro deste quadro geográfico de paisagens compostas de vales urbanizados ao longo do rio Piraí e do rio Paraíba do Sul, e de constantes ondulações formadas por morros “pelados”, compostos quase exclusivamente por um tapíz de gramíneas pouco consistente devido ao pastoreio e às contínuas queimadas, associado com uma urbanização que vem crescendo dia a dia, é que nos vemos na obrigação de realizar projetos visando a recuperação das áreas degradadas do município.

Nossos projetos visam a implantação da Educação Ambiental a todos os setores da comunidade. A definição de Educação Ambiental dada pelo IBAMA (1993), justifica esta nossa decisão: “A Educação Ambiental é um processo permanente no qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência do seu meio ambiente e adquirem conhecimento, valores, habilidades, experiências e determinação que os tornam aptos a agir – individual ou coletivamente e resolver problemas ambientais presentes e futuros“.

No mesmo sentido, em 1972, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Humano, realizada em Estocolmo, já fazia um apelo à responsabilidade do ser humano no tratamento do meio: “O ser humano é, ao mesmo tempo, obra e artífice do meio que o circunda, que lhe dá sustento material e lhe proporciona a oportunidade de desenvolvimento intelectual, moral, social e espiritual”. Segundo Pardo Diaz (2002), a partir de Estocolmo, a Educação Ambiental converte-se em uma recomendação imprescindível, e importantes projetos são colocados em marcha.

O Projeto PEQUENO VIVEIRISTA visa a capacitação e a conscientização de um grupo de adolescentes de baixa renda, entre 14 e 17 anos, do sexo masculino, ocupandoos com atividades que promovam seu desenvolvimento individual e social. O Projeto é patrocinado pelo Fundo Municipal da Infância e do Adolescente (FMIA), através do Conselho Municipal em Defesa da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Barra do Piraí. O Fundo oferece aos adolescentes uma bolsa-auxílio mensal, para ajudar nas despesas pessoais e principalmente familiares, vale transporte para aqueles que vivem longe do Parque, e uma merenda diária, oferecida no intervalo das atividades. Por outro lado, no Projeto os alunos aprendem a cuidar das plantas e do meio ambiente, ou seja, têm uma oportunidade de inserção no mercado de trabalho.

OBJETIVOS

1 – Geral: promover o adolescente como cidadão em desenvolvimento.

2 – Específicos:

- Entidades executoras:

Conselho Municipal de Defesa da Criança e do Adolescente em parceria com a Prefeitura Municipal de Barra do Piraí, através da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, Secretaria de Educação e Desporto e da Secretaria de Assistência Social.

JUSTIFICATIVA

Os jovens, em geral, não têm como ocupar o seu tempo disponível em atividadesque lhe possam servir para ampliar as suas opções de trabalho. O Projeto dá aos adolescentes uma oportunidade de aprender, desenvolvendo atividades relacionadas com a preservação do meio ambiente. Por outro lado, os adolescentes tornam-se críticos e capazes de tomar atitudes, com relação aos problemas causados pelo ser humano ao meio.

Segundo a Resolução sobre educação em matéria de meio ambiente da Comunidade Européia, em 1988, são objetivos da Educação Ambiental: “Incrementar a sensibilização dos cidadãos com relação aos problemas existentes nesse campo e às suas possíveis soluções” e também “assentar as bases para uma participação plenamente informada e ativa dos indivíduos na proteção do meio ambiente e para uma utilização prudente e racional dos recursos naturais”.

METODOLOGIA

O Projeto é realizado no Parque Florestal Municipal Nilo Peçanha, tendo como responsáveis técnicos:

A equipe de funcionários do Parque e da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente também são fundamentais para o desenvolvimento do Projeto.

Os adolescentes recebem orientação durante seis (06) meses:

Devido à crescente necessidade de preservação dos recursos naturais, principalmente dos nossos recursos hídricos, as atividades desenvolvidas visam ao reflorestamento, à recuperação das áreas degradadas, preservação dos mananciais, arborização pública, etc.

Contamos com a infra-estrutura do viveiro do Parque Florestal Municipal Nilo Peçanha e com a área do Parque, onde aproveitamos para plantarmos e demonstrarmos, na prática, os porquês de todas as atividades desenvolvidas.

São atendidos 20 adolescentes em dois turnos, 10 no período da manhã e 10 no período da tarde, sendo garantido a todos uma merenda. A merenda é fornecida pelo CMDCA.

Neste segundo ano do Projeto, em Barra do Piraí, criamos a função do Monitor, cujo objetivo é dar uma oportunidade a mais para aqueles que se esforçaram, em todos os sentidos, durante o desenvolvimento das atividades do Projeto, e ajudar na orientação dos futuros “Pequenos Viveiristas”. O monitor é um estímulo a mais aos novos alunos, pois eles também poderão se tornar futuros monitores. Temos um monitor por turma (manhã e tarde). Os monitores são alunos selecionados das turmas anteriores.

Horário de desenvolvimento das atividades:

De segunda a sexta-feira:

Os alunos desenvolvem todas as atividades práticas de um viveiro, como preparação do substrato, obtenção de mudas, manipulação de sementes, estacas, podas, plantio, rega, manutenção das plantas, uso de fertilizantes e agrotóxicos químicos e alternativos, etc., cuidados básicos e essenciais para que uma semente se torne uma árvore frondosa. Por outro lado, têm aulas teóricas com os temas abaixo relacionados:

Para a realização da parte teórica contamos com algumas parcerias, que surgiram com o desenvolvimento do Projeto, entre elas a EMATER, com as seguintes palestras:

Contamos também com a palestra da Defesa Sanitária Vegetal Estadual: “Manejo e uso de agrotóxicos e o descarte das suas embalagens”. Por outro lado, o Colégio Agrícola Nilo Peçanha de Pinheiral, nos tem fornecido o apoio técnico dos seus professores.

Somados aos trabalhos práticos no Parque Florestal, às palestras que realizamos com o objetivo de ver o lado teórico das questões ambientais e sociais, realizamos diversas “saídas a campo”. Chamamos de saídas a campo os trabalhos práticos e teóricos realizados fora do Parque Florestal, que têm o objetivo de ampliar as áreas de atuação e conhecimento do Pequeno Viveirista. Outras atividades podem surgir durante o processo, mas as abaixo relacionadas são as essenciais.

Contamos com a infra-estrutura do Parque Florestal Municipal Nilo Peçanha para a realização das atividades, mas alguns materiais básicos específicos, são essenciais para o desenvolvimento do Projeto:

RESULTADOS PRELIMINARES

Em julho de 2003 formamos a 2ª turma do Projeto Pequeno Viveirista, e na festa de formatura, fizemos a entrega dos certificados. Agora os pequenos viveirista são também responsáveis pela preservação do nosso ambiente, uma vez que desenvolveram atividades, receberam informações, e estão conscientes do papel de cada um no processo ambicioso de de proteger e melhorar o meio em toda a sua dimensão.

Paralelamente a este encerramento, abrimos as inscrições para a 3ª turma, que começará em setembro. Tivemos 200 inscritos para o Projeto e o processo de seleção já começou, mas infelizmente teremos que selecionar somente 20 alunos.

Ampliaremos a abrangência do Projeto, selecionando pelo menos um representante de cada distrito e bairro, assim a semente da conscientização ambiental será mais rapidamente disseminada.

Aproximadamente 10.000 mudas de árvores já foram plantadas desde julho de 2002, dentro do Projeto de Recuperação das Áreas Degradadas no Parque Florestal e no município. Fizemos várias visitas às escolas locais, plantando e realizando palestras e atividades onde os pequenos viveiristas foram os protagonistas. Estamos lutando para que os comerciantes locais e a população em geral adotem um viveirista, para que ele possa continuar seu aprendizado com as plantas, nos jardins e nas praças e tenha oportunidade de exercer o seu papel de multiplicador dos conceitos adquiridos durante o Projeto.

Bibliografia Citada

EDUCAÇÃO AMBIENTAL. Brasília: MMA/IBAMA, 1993.

PARDO DÍAZ, ALBERTO. Educação ambiental como projeto. Trad. Fátima Murad. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

Autora:

MARENE MACHADO MARCHI

Departamento de Meio Ambiente, SECRETARIA DE AGRICULTURA E MEIO AMBIENTE,PREFEITURA MUNICIPAL DE BARRA DO PIRAÍ);Trav. Assumpção, 69 – Centro – Barra do Piraí)

Anais do VII Encontro de Educação Ambiental do Estado do Rio de Janeiro
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 23-25 de setembro de 2004

p 368

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