O Lúdico na Educação Ambiental

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O tema “O Lúdico na Educação Ambiental” neste trabalho, tem a intenção de modificar o cotidiano escolar, de buscar fórmulas e formas variadas de estimular o alunado para a transmissão de conhecimentos, informações ou assuntos pertinentes à disciplina de cada um dos educadores, envolvidos no processo. Ao firmar-se na abordagem do lúdico, enfatizando o papel do facilitador na utilização de técnicas que possibilitem o entendimento da clientela acerca de questões ambientais atuais, busca provocar um envolvimento interdisciplinar e uma mudança de comportamento nos corpos docente e discente, para que, a partir de então, mais atores sociais dêem continuidade à preservação ambiental.

INTRODUÇÃO

“Para que a partir de hoje a família se
transforme, e o Pai seja pelo menos o Universo, e
a Mãe seja no mínimo a Terra”.
Vladimir Maiakovski

A Educação Ambiental é uma disciplina relativamente recente, nos meios educacionais. Sua formalização ocorreu em 1977, com a I Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, convocada pela UNESCO e ocorrida em Tbilisi, na antiga União Soviética.

Muitas vezes, sua conceituação é confusa. Sua aplicação efetiva depende, não raras ocasiões, de profissionais que se envolvam afetiva e apaixonadamente com os problemas ambientais.

Entre esses profissionais, nos incluímos, conscientes da importância do envolvimento do maior número possível de agentes disseminadores dosquestionamentos, posturas, hábitos, condutas e atos que levem a um permanente aperfeiçoamento e transformação do ambiente, tornando-o viável para esta e as próximas gerações.

Pretendemos que nossa atuação fosse conjunta: que os segmentos escolares (alunos e professores) participassem na construção e na aplicação dosrecursos didáticos que foram utilizados na prática da Educação Ambiental, em nossa comunidade escolar.

Em nossa pesquisa-ação, objetivamos atuar na elaboração dos recursos didáticos, utilizando o lúdico, para despertar a sensibilidade e conscientizar ascomunidades envolvidas para os problemas ambientais, através de atividades dinâmicas e interativas, que contemplem a realidade do ambiente do aluno, identificando-a, para estimular o interesse pela Educação Ambiental.

Neste contexto, de valorização da realidade, voltamos nossa proposta para o lúdico, pois a “brincadeira” é uma atividade inata ao ser humano.

Os jogos propiciam a simulação de situações-problema que exigem soluções imediatas. Isso estimula o planejamento de ações e possibilita a construção deuma atitude positiva diante dos erros, uma vez que as situações sucedem-se rapidamente e podem ser corrigidas de forma natural, no decorrer da ação, sem deixar marcas negativas.

As atividades de jogos permitem ao professor avaliar quatro aspectos: a facilidade para entender o processo do jogo; a possibilidade de construir uma estratégia vencedora: a capacidade de comunicar o procedimento seguido e a maneira de atuar, e a capacidade de comparar com as previsões ou hipóteses.

A participação nos jogos também representa uma conquista cognitiva, emocional, moral e social para o estudante, estreitando o convívio social, tornando-o apto para exercer sua cidadania, de forma participativa, integradora e preservacionista.

Ao direcionarmos nosso trabalho para um aprendizado mais dinâmico sobre as questões ambientais, percebemos que ele seria viável, na medida em que, através do lúdico, as informações são assimiladas mais facilmente, envolvendo toda a comunidade escolar. É um trabalho que procura, como propõe FALS BORDA (1990) [...]“autenticidade e compromisso, ritmo e equilíbrio entre ação e reflexão.” [...]

A bibliografia a respeito do assunto abrange uma gama de autores, que se permitiram refletir sobre a problemática ambiental e a utilização do lúdico para melhor compreensão e participação da comunidade envolvida no trabalho a que nos dispusemos elaborar.

A intenção de contribuir para a transformação da sociedade está presente em diversos autores que concebem a ciência como prática social do conhecimento. (SANTOS, 1989)

Segundo VASCONCELLOS (1994) [...] “A pesquisa-ação usada na Educação Ambiental parte do diálogo entre a ciência e o senso comum, usa técnicas de pesquisa histórica, observação participante e entrevistas” [...]

Nossa proposta de ação é coincidente com o pensamento de Vasconcellos, visto que procuramos unir a ciência ao senso comum, produzindo um elemento facilitador (o lúdico), para a apreensão de conceitos científicos, esclarecendo-os a partir da observação dos problemas ambientais cotidianos que afligem a todos.

Os prazos estipulados para a elaboração da monografia foram bem planejados, permitindo que se realizassem as etapas previstas.

Considera-se que é um tema atual, pois o convívio social, a interação que ele vai provocar entre os participantes das atividades propostas é sempre interessante, dinamizando os conhecimentos e tornando mais democrática e rápida apreensão dos mesmos.

Só se alcança algum objetivo em Educação Ambiental, com a mobilização coletiva, com o envolvimento consciente da comunidade nos problemas ambientais levantados localmente.

Segundo DUARTE JÚNIOR (1995, p.52) [...] “A imaginação, já o notamos, o traço distintivo do homem; através dela este transcende a imediatidade das coisas e projeta o que ainda não existe.”[...]

Ainda citando o mesmo autor: [...] “jogando (brincando), o homem rompe com o determinismo das forças naturais e constrói uma realidade harmônica na qual está integrado”.[...]

Por lidar com a realidade, a Educação Ambiental [...] “pode e deve ser o agente otimizador de novos processos educativos, que conduzam as pessoas por caminhos onde se vislumbre a possibilidade de mudanças e melhoria do seu ambiente total”[...] (DIAS, 1991, p. 158)

A originalidade do trabalho consiste no enfoque do lúdico, fornecendo subsídios técnicos necessários à transmissão da Educação Ambiental, provocando a clientela para a reflexão sobre a problemática que está atingindo a todos: a preservação dos recursos naturais, atendendo dessa forma o que recomenda a Agenda 21: a utilização de metodologias participativas na implementação de programas de Educação Ambiental.

Ao longo da aplicação das etapas do nosso trabalho sensibilizamos professores de várias disciplinas e diferentes níveis de ensino, o que atende ao que estádisposto no capítulo III, na seção I, da Política Nacional de Educação Ambiental, que dispõe, no artigo 8º, parágrafo 3º:I – O desenvolvimento de instrumentos e metodologias, visando à incorporação da dimensão ambiental, de forma interdisciplinar, nos diferentes níveis e modalidades de ensino.

IV – O apoio à iniciativa e experiências locais e regionais incluindo a produção de material educativo.

O trabalho também contempla o capítulo II da seção I da Política Nacional de Educação Ambiental, no artigo 13 que diz: Entende-se por Educação Ambiental não formal, as ações e práticas educativas voltadas à sensibilização da coletividade sobre as questões e à sua organização e participação na defesa da qualidade do meio ambiente e sugere a mudança da atitude “presencialista” para uma atitude participativa, questionadora, que apresente soluções para as questões que foram estudadas.

Tratou-se de um tema relevante, pois deu apoio didático aos professores, levando ao seu conhecimento recursos e técnicas lúdicas, para que o Ensino da Educação Ambiental se tornasse atraente e prazeroso.

Como está previsto nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), propostos a partir da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96), “o meio ambiente deverá ser tratado como um tema transversal e interdisciplinar.”

Dessa forma, nosso enfoque não foi direcionado para um grupo específico de professores. Ele vislumbrou a possibilidade do trabalho conjunto com todos aqueles que se sensibilizaram e se sentiram desconfortáveis em relação à problemática ambiental.

Com esse grupo de pessoas, engajadas nas questões ambientais, desenvolvemos nosso trabalho sustentado em três pilares:

I – Sensibilização e Conscientização da Comunidade Escolar

II – Montagem de programa de Educação Ambiental através de Atividades Lúdicas
III – Aplicação desse programa junto à comunidade escolar

Utilizando-nos dessa estrutura atingimos nossos objetivos dentro do trabalho, que foram os seguintes:

METODOLOGIA

Local: Colégio Estadual Antonio Gonçalves
Período: Fevereiro de 2001 a junho de 2001

“Se planejarmos para um ano, devemos plantar cereais.
Se planejarmos para uma década, devemos plantar árvores.
Se planejarmos para toda a vida, devemos treinar e educar o homem.”
Kwantsu Séc. III a. C.

Nosso projeto “O Lúdico na Educação Ambiental” foi desenvolvido emetapas, priorizando o envolvimento da comunidade no trabalho.A diretriz escolhida foi a utilização do lúdico, com dinâmicas sensibilizadoras. Tal escolha ocorreu em função de levantamento de dados colhidos através de questionários realizados com alunos do Colégio Estadual Antônio Gonçalves, compondo um total de 11 turmas.

Como resposta, observamos, quase de maneira unânime, a necessidade de trabalharmos de forma lúdica, através de jogos tais como boliche, dardos (com materiais reaproveitados), dramatizações, poesias, músicas. Essas atividades foram elaboradas pelos participantes dos grupos ao longo das etapas e após serem estimulados pelas facilitadoras do projeto.

Também foram realizadas dinâmicas variadas para conhecimento e interação e cooperação junto aos membros de cada grupo, tais como: “João, João”, “casa, inquilino, terremoto”, “jogo dos crachás”, “círculos dançantes”, respaldados nas respostas dos alunos aos questionários aplicados, pois, do total de alunos pesquisados (425 alunos), 85% responderam que gostariam de receber as informações de maneira mais dinâmica.Em função desse resultado, demos continuidade ao nosso projeto, dividindo-o em etapas, trabalhando mais agilmente as questões ambientais.

Inicialmente, foi feito um convite a todo o corpo docente da escola, presente na 1ª reunião de planejamento do ano, e foi solicitado o apoio da direção.

Em resposta ao convite, tivemos a participação de 20 pessoas, entre professores, coordenadores pedagógicos e direção. Desse total, participaram, até o final do projeto, 15 profissionais da Unidade Escolar.

Em relação à direção da escola, tivemos todo o apoio na aceitação do projeto. Além de participar do mesmo, liberou os professores e coordenadores para estarem presentes aos encontros. O trabalho foi dividido em seis etapas (sensibilização do corpo docente, escolha de temas, montagem de planejamento, apresentação dos planejamentos, aplicabilidade nas turmas e avaliação do projeto), que foram concretizadas através de encontros, com objetivos específicos e que obedeceram a planejamentos previamente elaborados, pela equipe coordenadora.

RESULTADOS

Era nosso objetivo suscitar a sensibilidade de cada um dos participantes,envolvendo-os na prática de observação do seu ambiente: o que lhes faltava, os prejuízosque vinham sofrendo, as ações que, por ventura, foram realizadas para transformá-lo.

Ao longo do cumprimento de todas as etapas do projeto constatamos que nossos objetivos iniciais tinham sido alcançados, ao observarmos a mudança postural e de atitudes no contingente envolvido, como a observação crítica dos ambientes que freqüentam (casa, escola, vias públicas, bairro) e a mudança interior de cada umpassando a agir nesses locais.

Os resultados obtidos na aplicação do projeto, levaram-nos à conclusão de que teremos, a partir de então, mais atores sociais envolvidos na problemática ambiental e que darão continuidade à causa da preservação ambiental, exercendo de forma plena sua cidadania, sendo eticamente corretos com a natureza e, por conseqüência, com seu semelhante.

Tivemos como resultados concretos dessa nova postura ambiental, as seguintes ações:

CONCLUSÃO

Educação Ambiental com essa denominação, ainda é recente nos meios escolares. Sua implementação, porém, só se concretizará quando as pessoas se sentirem cidadãs, aptas a colocarem em prática as mudanças necessárias para transformar seu ambiente, obedecendo ao preceito “pensar globalmente e agir localmente”. O papel da instituição escolar neste processo é primordial, pois ela é o instrumento capaz de conscientização coletiva das comunidades intra e extra-muros para as mudanças posturais que devem assumir em relação ao ambiente, o que lhes dará, em troca de sua preservação e bom uso, qualidade de vida condizente com uma existência mais saudável e, por conseqüência, mais produtiva para a sociedade.

Neste contexto, de formação de consciência e internalização de conceitos ambientais, elegemos desenvolver atividades lúdicas, que transformassem os vários recortes ambientais em participações interativas, integradoras e cooperativas. Buscamos permeá-las, atendendo à interdisciplinaridade determinada nas leis federal e estadual de Educação Ambiental, onde a “brincadeira” foi o elemento facilitador, que levasse, à clientela envolvida, as questões ambientais locais e, a partir da visão da realidade que a cerca, estendesse esse mesmo olhar para mais adiante, para as conseqüências que a não-preservação do ambiente de sua comunidade pode acarretar para outras comunidades.

BIBLIOGRAFIA CITADA

DIAS, G. F. Os quinze anos da educação ambiental no Brasil: um depoimento. Em aberto, v. 49, p.3–14, Rio de Janeiro: Global, 1991.

DUARTE JUNIOR, João – Francisco. Fundamentos estéticos da educação. 4. ed. Campinas, SP: Papirus, 1995.

FALS BORDA, O. Aspectos teóricos da pesquisa participante. In: Carlos Rodrigues Brandão (Org.) Pesquisa Participante. São Paulo, Brasiliense, 1990. Lei nº 9795, de 27 de Abril de 1999, que dispõe sobre a Educação Ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental.

PEDRINI, Alexandre de Gusmão (org.). Educação Ambiental, reflexões e práticas contemporâneas. RJ: Vozes, 1998.

SANTOS, B. S. Introdução à uma ciência pós-moderna. Rio de Janeiro, Graal, 1987.

VASCONCELLOS, M. das M. N. Educação ambiental: ponte entre diferentes áreas do conhecimento. Dissertação de Mestrado. PUC/RJ, 1994.

AUTORES

Colégio Estadual Antonio GonçalvesRua da matriz, 3600
Coelho da Rocha, São João de Meriti, CEP 25520-170, RJ, Brasil

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10 Comentários para “O Lúdico na Educação Ambiental”

  1. Beatriz Ferreira
    10:27 em 02/02/2009

    Ola, bom dia!
    Quero parabenizar as autoras nao só pelo texto, mas como tambem pela iniciativa! Sao exemplos como esse que nos fazem continuar a lutar pela causa ambiental!
    Faço parte de uma Rede de Educacao Ambiental – da UNESP Sorocaba e gostaria de saber como aplicar essas atividades mencionadas no trabalho: “João, João”, “casa, inquilino, terremoto”, “jogo dos crachás”, “círculos dançantes”.
    Muito obrigada!
    Beatriz

  2. pedrini
    22:00 em 12/02/2009

    Amigo,
    nao acha legal divulgar livros de pessoas como o frd, mauro eu etc?
    pedrini

  3. Shirley
    11:51 em 05/07/2009

    Przado;

    Excelente sua iniciativa. Estou divulgndo o sue site entre a comunidade de ensino da qual participo.

    Parbéns!
    Shiley

  4. Flora Neves
    18:53 em 09/07/2009

    Olá, também tenho interesse em saber como desenvolver as atividades passso-a-passo para poder replicar as brincadeiras aqui em Florianópolis num projeto que participo,com escolas da rede pública.
    E parabens pelo incentivo que nós deu! O conteúdo assima é riquissímo.
    Flora (*_*)

  5. anaita lucas
    22:49 em 02/03/2010

    Olá…Parabenizo vcs pela iniciativa!!!E também gostaria de receber instruções para aplicar as atividades mencionadas acima;”joão,joão”, “casa,inquilino,terremoto”, “jogo dos crachás”, “círculos dançantes” .

    Agradeço muito…

  6. lucas
    20:52 em 31/05/2010

    quase bacana mais gostei .bacana!!!!!!!!!!!

  7. Janaína Ursine
    14:12 em 16/08/2010

    Olá! Faço parte de uma OSCIP que trabalha Educação Ambiental em prédios públicos do Governo de MG e gostaria de saber como aplicar essas atividades mencionadas no trabalho: “João, João”, “casa, inquilino, terremoto”, “jogo dos crachás”, “círculos dançantes”. Queria saber, ainda, se você pode me indicar outros tipos de atividades.
    Aguardo retorno.
    Obrigada!

  8. Letícia
    11:10 em 04/10/2010

    Gostaria de saber a metodologia das brincadeiras João, João”, “casa, inquilino, terremoto”, “jogo dos crachás”, “círculos dançantes” para aplicar para as crianças onde trabalho!!!!
    parabéns pela iniciativa!!!!

  9. ROSANE
    13:24 em 09/02/2011

    Elisabete,
    Fui sua aluna em Areal em 2006 e agora trabalho em um instituto de ciencia ambiental. Gostaria que vc agendasse uma visita para que pudéssemos trocar ideias sobre as possibilidades de trabalho com as crianças e professoras daqui. abs.

  10. Thomaz Cunha
    11:52 em 11/03/2011

    Elisabete, somos de um Instituto de Ciencia Ambiental em Petrópolis – RJ e achamos interessante vosso trabalho na área da educação ambiental. Gostaríamos de poder multiplicar este conhecimento para os profissionais daqui da cidade, através de cursos para educadores. Seria muito interessante se pudéssemos contar com sua experiência. por gentileza, entre em contato. Um abraço, Thomaz.

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