O educador e a Educação Ambiental como disciplina na universidade: um estudo de caso
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RESULTADOS e DISCUSSÃO
Após análise da entrevista realizada, chegou-se aos seguintes resultados passíveis de discussão:
1- O Professor ministrante
Para o professor entrevistado a Educação Ambiental é uma práxis educativa, no sentido que a prática e a teoria caminham juntas:
“Eu vejo a EA como uma práxis educativa…”
“É por isso que eu falo práxis…”
“… você tem que ter práxis, tem que haver um movimento da objetividade e da subjetividade…”
“ …ela é minha prática…”
“…tem que estabelecer um processo de envolvimento prático e teórico…”
Essa práxis por ele entendida consiste em teorizar em cima das experiências, ou seja, fundamentar teoricamente a prática exercida por membros de determinadas classes sociais, discutindo fatores determinantes de padrões culturais como valores, atitudes, entre outros:
“…uma práxis social, com intuito de uma formação, uma discussão de valores, atitudes e comportamentos que geram determinados padrões culturais.”
“…da teoria e da pratica, não só fazer a pratica, assim, como não ficar só na abstração.”
“ai eu teorizo em cima da cotidiano deles”
O professor diz trabalhar dentro do campo do marxismo, utilizando a dialética marxista para criticar as relações sociais vigentes:
“…minha orientação teórica dentro da teoria critica, do marxismo…”
“…trabalho muito com pesquisa qualitativa na dialética”
Ele se define um educador ambiental por opção de vida, não sendo apenas uma escolha profissional, e sim tudo aquilo que ele acredita como ideal para sua vida :
“ … a EA para mim nunca foi uma questão de profissão é uma opção de vida…”
“ EA para mim é abertura, ela é a minha pratica e o meu objeto de pesquisa onde formulo conceitos, teorias, etc.”
Essa sua afirmação é de grande importância, pois ao se definir como um educador ambiental, ele coloca a sua maneira de trabalhar aberta a críticas e ao enfrentamento, desde que as questões sejam bem fundamentadas e que se respeite os pressupostos teóricos de cada um, ou seja, desde que haja um diálogo respeitoso:
“… não existe uma única forma de EA…”
“Assim como não existe uma educação única não vai existir uma EA única.”
“… o que é pior é você não ter um diálogo maduro, não havendo um confronto saudável e democrático entre as tendências, onde você coloca os limites claramente daquilo que você nega, o outro aceita ou não, questiona ou recoloca isso.”
“… o conflito é bom, aliás, é fundamental…”
“… o conflito que é absolutamente sadio e o confrontamento é absolutamente sadio…”
“Então essas coisas precisam ser claramente ditas e definidas, e haver um enfrentamento.”
Ao dizer aceitar criticas e discussões sobre a sua forma de entender a EA, o professor também se permite criticar outras formas de trabalhá-la. Segundo ele não existe apenas uma EA, mas é necessário que se tenha embasamento suficiente para que determinados trabalhos tenham consistência dentro do campo da EA. Para o professor existe na Educação Ambiental um senso comum muito grande onde os conceitos são banalizados e o “achismo” predomina. Sua maior crítica é sobre o pragmatismo existente. Esse seu posicionamento transparece em todos os momentos da entrevista:
“…você tem pessoas que se dizem educadores ambientais e na verdade reproduzem um modelo de ciência, um modelo de educação, um modelo de relação com o aluno que a princípio você deveria estar negando, ou nega quando está apresentando determinados princípios.”
“…eu faço criticas contundentes a outras tendências, mas respeito a variedade das perspectiva deles…”
“…é um senso comum enorme, uma banalização dos conceitos…”
“…aí fica um senso comum da vulgaridade no sentido pejorativo, o sentido de não ter um aprofundamento adequado, é um pragmatismo absurdo.”
“…nessa área há um achismo monumental…”
Para ser fiel ao seu posicionamento o professor chega ao isolamento que ele diz ser nocivo para a Educação Ambiental, porém aderir a aquilo que ele mais critica,ou seja, o senso comum, consiste em um mal muito maior:
“…ou você se isola ou você entra no senso comum da generalidade e não diz nada…”
“…então acaba havendo isolamento das tendências que não dialogam…”
Esse isolamento é nocivo, porém, é necessário para que não haja uma fuga do que o professor entende por EA. Portanto, o professor mantém a sua identidade não aderindo ao discurso e a prática superficial conformada ao modo de produção vigente. Essa necessidade da “individualidade” fica clara na ausência do pronome “nós” e na presença eminente do pronome “eu” em todo seu discurso:
“Eu vejo…”; “Eu acho…”; “…eu já tive…”; “Isso eu acredito…”; “…se eu fosse…”; etc.
Não aparecem na entrevista palavras que tratam o ser humano na sua individualidade, como “cidadão”, “homem”, entre outras, o que demonstra que o professor trabalha o homem dentro da coletividade, ou seja, estuda-se o homem dentro de sua classe social. A palavra “sociedade” é citada inúmeras vezes o que reforça essa afirmação. Ao trabalhar com seus alunos o professor coloca em discussão o “cotidiano”, dentro desse cotidiano são analisadas as características do “individuo” determinadas por sua classe social.
“…. em todos eles respeitando a especificidade de cada segmento social, de cada grupo sócial…”
“A gente faz uma série de discussão em cima do cotidiano dos alunos…”
“Qualidade de vida pode se shoping center pra muita gente, para mim não é, mas para uma adolescente da Barra da Tijuca pode ser…”
“…peço analises de eles especificarem alguma coisa em cima do cotidiano.”
“….tem turmas que puxam mais em cima de determinadas experiências…”
Nessas discussões sobre a sociedade o professor procura relacionar com a natureza, o que faz expressões como “relação sociedade natureza”; “discussão sociedade-natureza”, aparecerem em todos os momentos de seu discurso. Sendo assim, a proposta que ele procura transmitir na disciplina pode ser resumida usando suas próprias palavras:
“…tem que pensar uma nova forma, ter uma nova relação sociedade-natureza…”
Essas relações devem ser entendidas dentro de um momento histórico,onde as metodogias usadas para interpretar as questões ambientais, as formas de entender o planeta dentro da Educação Ambiental, tem como determinantes acontecimentos históricos:
“…há uma visão ainda própria na educação que se explica historicamente…”
“…isso aqui propõe uma série de coisas, aí trago a historia da EA internacional e nacional…”
“ …o caminho é usar as questões metodológicas e históricas, são muito importantes as questões históricas no Brasil e no mundo para entender determinadas coisas.”
“…esses elementos do cotidiano, onde faz vinculação das coisas na história da EA…”
Após a descrição de algumas características do professor entrevistado é necessário esclarecer que essa foi apenas uma analise superficial da entrevista realizada. O resultado alcançado está longe do esgotamento das possibilidades de exploração dos temas oferecidos pela entrevista, porém, foi possível encontrar questões passíveis de discussão que serão destacadas no quadro a seguir:
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Tema
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Visão do Professor
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| Campo Teórico | Teoria social crítica |
| Objeto de Estudo | EA através da relação sociedade-natureza |
| Educação Ambiental | Uma práxis (onde a pratica é discutida à luz da teoria e a teoria na prática social) |
| As Transformações | Acontecem em momentos históricos |
| Crítica | O senso comum dentro do campo da EA |
O resultado da entrevista apresentado no Quadro I de forma resumida, será brevemente trabalhado com o intuito apenas de embasar teoricamente, sem um maior aprofundamento, com uso de citações o entendimento que o professor entrevistado tem da educação ambiental. Foram analisados algumas questões que são pertinentes no campo da teoria marxista e também são fundamentais para o professor entrevistado. Questões como a dialética, relação da sociedade com a natureza e a historicidade demonstram a coerência entre o marxismo e os pressupostos teóricos do professor que serão apresentados a seguir.
2- O Marxismo aplicado na Educação Ambiental
MORAES (1990, p.93) argumenta que “em suma, para Marx, a relação do homem com a natureza é função das relações estabelecidas pelos e entre os homens num dado modo de produção”. Sendo assim, a relação sociedade-natureza está associada ao relacionamento entre as classes sociais e a utilização dos recursos naturais. Sobre essa visão marxista Antonio Moraes citou:
“O instrumental técnico disponível exprime as forças produtivas de uma dada sociedade, às quais corresponde uma certa visão social do trabalho e relação de produção também específica. São estas que definem as formas de apropriação da natureza e o acesso dos diferentes grupos sociais aos recursos do ambiente.” (MORAES,1990,p. 93)
Para Marx o homem é um ser natural, sendo assim, ele não é um outro em relação à natureza, mas sim, parte dela. O homem ao modificar a natureza está também se modificando, como a famosa afirmação de Karl Marx descrita por LOUREIRO (2003,p.49) “ao mesmo tempo que ele [o ser humano] age por esse movimento sobre a natureza exterior e a modifica, ele modifica sua própria natureza.”
Porém dentro desta unidade torna-se impossível explicar a privação de determinadas classes sociais de usufruir determinados espaços e recursos naturais nos quais são atribuídos preços, onde só tem acesso quem tem condições de pagar.
Sendo assim, o homem é um ser biológico que faz parte da natureza, a separação entre os dois só pode ser histórica e social. A contribuição do marxismo se estende à interpretações e criticas à utopias e ideologias. O modo de produção, as lutas de classe, o uso das “ciências” , também tem muita relevância para as interpretações marxistas. Uma característica importante desse sistema filosófico é buscar o entendimento sem deixar de lado que todo acontecimento se dá em um momento histórico. Essa historicidade como uma característica importante para se entender a importância da Educação Ambiental será no próximo tópico abordada.
3- A historicidade como determinante do entendimento da Educação Ambiental
Como já foi visto a Educação Ambiental começa a ganhar consistência de forma global a partir do século passado. Segundo Carlos Loureiro o pensamento ambientalista está associado a acontecimentos característicos de cada década, o que serve para confirmar a importância da historicidade para entender a Educação Ambiental:
“…anos cinqüenta, ambientalismo cientifico; anos sessenta, ambientalismo das organizações sociais; anos setenta, ambientalismo político-profissional e governamental, e posteriormente, os demais.” (LOUREIRO, 2003,p.19 )
Não se pode deixar de mencionar que essas características de cada época se interligam dinamicamente dando uma continuidade à História, ou seja, não são fatos isolados de um momento histórico havendo uma ligação entre as características desses momentos e as outras que se sucedem. Porém, essa visão da Educação Ambiental dentro de um momento histórico, é de suma importância para que se possa através de um senso critico entender o porquê das conferências, leis, encontros, trabalhos científicos e todo tipo de produção intelectual ligados ao “pensamento ambiental”.
Segundo o pensamento de Karl Marx todas as discussões que ocorrem na historia são em geral determinadas pelas classes dominantes. Esse pensamento é de grande importância ao se relacionar a sociedade com o meio ambiente e com o meio de produção. Sobre esse pensamento o marxista Jostein Gaarder comentou:
“…você é fruto de sua época. Marx também afirmava que em geral a classe dominante numa sociedade que determinava o que é certo e o que é errado. Pois, para ele, toda a história era a história da luta de classes, ou seja, das discussões sobre a quem deveriam pertencer os meios de produção.” ( GAARDER, 2002,p.422)
Essa visão historicista tem as suas idéias essenciais resumidas por Michael Löwy:
“1. Todo fenômeno cultural, social ou político é histórico e não pode ser compreendido senão através de e na sua historicidade.
2. Existem diferenças fundamentais entre os fatos naturais e os fatos históricos e, conseqüentemente, entre as ciências que os estudam. 3. Não somente o objeto da pesquisa está imerso no fluxo da historia, mas também o sujeito, o próprio pesquisador, sua perspectiva, seu método, seu ponto de vista.” (LÖWY,1994,p.66)
Partindo dessas pressuposições varias interpretações do Historicismo surgiram como correntes filosóficas, apesar de ser colocado no segundo tópico que existem diferenças fundamentais entre as ciências da natureza e ciências humanas, separação que ainda predomina nos tempos atuais, não se pode negar que existam as inter-relações entre elas. Outra característica importante é a colocação do pesquisador como observador de um objeto de pesquisa no qual ele faz parte, podendo ficar o mesmo preso às determinações existentes no momento histórico qual vive.
Em suma, as relações de domínio entre homem-homem e homem-natureza biótica e abiótica devem ser discutidas para que se tenha noção do uso (para não dizer exploração) dos recursos naturais. Sendo assim, uma característica encontrada nos métodos do professor entrevistado é a proposta de discutir a relação sociedade-natureza dentro da Educação Ambiental. A seguir será feita uma pequena abordagem dessa relação.
4- A relação sociedade natureza
Para se entender a importância e a complexidade da relação sociedade-natureza, torna-se necessário compreender o significado das “coisas”, sobre essa questão Marilena Chauí citou:
“Assim, por exemplo, costumamos dizer que uma montanha é real porque é uma coisa. No entanto, o simples fato de que essa “coisa” possui um nome, que a chamamos de “montanha”, indica que ela é, pelo menos, uma “coisa-para-nós”, isto é, algo que possui um sentido em nossa experiência. Suponhamos que pertencemos a uma sociedade cuja religião é politeísta e cujos deuses são imaginados com formas e sentimentos humanos embora superiores aos dos homens, e que nossa sociedade exprime essa superioridade divina fazendo com que os deuses sejam habitantes dos altos lugares. A montanha já não é uma coisa: é a morada dos deuses. Suponhamos, agora, que somos uma empresa capitalista que pretender explorar minério de ferro e que descobrimos uma grande jazida numa montanha. Como empresários, compramos a montanha, que portanto, não é uma coisa, mas propriedade privada. Visto que iremos explora-la para obtenção de lucros, não é uma coisa, mas capital. Ora, sendo propriedade privada capitalista, só existe como tal se for lugar de trabalho. Assim, a montanha não e coisa, mas relação econômica e, portanto, relação social. A montanha agora é matéria-prima num conjunto de forças produtivas, dentre as quais se destaca o trabalhador, para quem a montanha é lugar de trabalho. Suponhamos, agora, que somos pintores. Para nós, a montanha é forma, cor, volume, linhas, profundidade- não é uma coisa, mas um campo de visibilidade.” (CHAUI,2001,p.20)
Essa extensa explanação sobre o significado de uma montanha demonstra o que ela pode ser como coisas para nós: “são formas de nossas relações com a natureza mediadas por nossas relações sociais…” (CHAUI,2001,p.21). Essa relação deve ser considerada tendo o homem como um ser social e que ninguém está sozinho, que de um depende o outro e que todos dependem da natureza. Sobre essa questão BRÜGGER (1994,p.29) citou: “ Mas por trás do debate em torno da questão ambiental sempre há uma relação da sociedade com a natureza e dos homens entre si.”
Após essas argumentações encontrou-se um conceito que até então não havia sido comentado, o de “meio ambiente” , sendo esse, segundo a analise do professor entrevistado seu objeto de pesquisa: as relações entre sociedade (onde os homens pertencem a classes sociais) e natureza ( que pode ser “nata” ou “transformada”). Sobre essa questão Paula Brügger citou:
“Embora a expressão “meio ambiente” seja amplamente confundida com natureza, mesmo nos meios acadêmicos a questão ambiental diz respeito ao modo como a sociedade se relaciona com a natureza- qualquer sociedade e qualquer natureza e isso inclui também as relações dos homens entre si.” (BRÜGGER,1994,p.55)
Como já foi visto alguns conceitos devem ser estudados em toda sua proposta, para que não sejam mencionados sem um embasamento teórico que pode ser prejudicial para o entendimento da Educação Ambiental. Segundo o professor entrevistado esse embasamento é necessário para que não se perca dentro de um pragmatismo nocivo para o educador ambiental. A seguir será demonstrada a importância da teoria para se fundamentar e dar sentido à Educação Ambiental.
5- A teoria na Educação Ambiental
A grande critica do professor entrevistado é ao pragmatismo que muitas vezes é encontrado na Educação Ambiental. É necessário que se tenha conhecimento dos conceitos empregados para que não se perca, segundo o professor, no “senso-comum” e na “generalidade”. Segundo SORRENTINO (1995,p.12) “…a formação teórica sem cair no teoricismo é uma grande necessidade, sobretudo em campos como o da educação ambiental, que se encontram em processo de construção.” Pois segundo REIGOTA (1995, p.10) a Educação Ambiental “ visa não só a utilização racional dos recursos naturais, mas basicamente a participação dos cidadãos nas discussões e decisões sobre a questão ambiental.” Sendo assim, a teoria só tem sentido no caso da Educação Ambiental quando associada à pratica propondo novos valores e políticas como citou Enrique Leff:
“as formações teóricas e ideológicas, assim como as práticas do ambientalismo surgem, pois, com um sentido prospectivo, reorientando valores, instrumentos normas e estabelecendo
políticas para construir uma nova racionalidade social.” (LEFF,2001,p.163)
Diante do exposto, entende-se que teoria e prática devem caminhar juntas para que sejam estabelecidas novas e melhores formas de relacionamento entre os “tripulantes e a espaçonave Terra”. É com esse interesse que o professor entrevistado diz ser de suma importância entender a Educação Ambiental como uma práxis educativa, que será descrita a seguir.
6 – A práxis na Educação Ambiental
A práxis proposta pelo professor consiste em discutir novas formas de entender as relações do homem com o meio, promovendo novas ações comportamentais nessas relações. Como comentou TRISTÃO (1997,p.108) “Não adianta introduzirmos novos elementos com velhas praticas, é preciso repensar quais são os pressupostos que a fundamentam.”
Portanto, para repensar novas ações, é necessário discutir os conceitos aplicados na Educação Ambiental e associá-los à pratica de forma coerente. Sendo assim, uma avaliação crítica é de grande importância para que os trabalhos e pesquisas ditas como Educação Ambiental ganhem consistência. Sobre como formar graduados SILVA (2000,p.4) comentou “ …é necessário formar graduados conscientes dos problemas ambientais, com fundamentação teórica e metodológica, para que possam incluir a temática ambiental em suas praticas profissionais” . Completa-se essa afirmação concluindo que a temática ambiental deve fazer parte não só da pratica profissional, mas também de todo cotidiano das pessoas. Sendo assim, o papel do educador ambiental, é propor novos hábitos e novas posturas como escreveu PEDRINI (1997,p.107) “Cabe aos educadores ambientais a missão de lutar pela distribuição de riquezas aliadas à novos hábitos e posturas que garantam uma qualidade de vida aos seres do planeta.” Para Enrique Leff essas mudanças devem gerar uma nova ética, ou seja, uma racionalidade ambiental:
“Desse modo, a racionalidade ambiental se funda numa nova ética que se manifesta em comportamentos humanos em harmonia com a natureza; em princípios de uma vida democrática e em valores culturais que dão sentido à existência humana. Estes se traduzem num conjunto de práticas sociais que transformam as estruturas do poder associadas à ordem econômica estabelecida, mobilizando um potencial ambiental para a construção de uma racionalidade social alternativa.” (LEFF,2001,p.85)
Para LEFF (2001,p.135) essa “…racionalidade ambiental se constrói e concretiza numa inter-relação permanente de teoria e de práxis.” Portanto, “neste sentido, a construção de uma racionalidade ambiental depende da constituição de novos atores sociais que objetivem através de sua mobilização e concretizem em suas práticas os princípios e potenciais do ambientalismo.” (LEFF, 2001,p.136)
Portanto, chega-se ao entendimento que os conceitos criados servem para interpretar os movimentos e ações humanas no planeta. Ou seja, conhecer o papel da palavra criada consiste em também entender e interpretar as atividades humanas no tempo e espaço. Porém, como já foi salientado não se pode ficar apenas no teoricismo, o conhecimento e o entendimento dos conceitos empregados devem ajudar a entender as ações aplicadas no campo da Educação Ambiental. Deve-se então, usar o senso critico e valorizar as ações que promovam novas relações entre sociedade e natureza, ou como já foi dito neste trabalho um “novo renascimento”.
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