Novos olhares para o canal Ary Parreiras, em Niterói – RJ

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As questões ambientais fazem com que as pessoas passem a se preocupar com o ambiente no qual estão inseridas. Para haver reais comprometimento e engajamento, será de suma importância que os educadores do futuro desenvolvam desencadeadores motivacionais capazes de incutir nos alunos a necessidade de estarem atentos aos problemas ambientais e o gosto pelo que estarão fazendo. No canal da Avenida Ary Parreiras, no bairro de Icaraí, Niterói, encontra-se um bom motivo para despertar a cidadania ecológica. O crescimento do bairro fez surgir uma avenida margeando o canal e suas águas antes límpidas deram lugar a águas turvas e mal-cheirosas. Há que se ter uma preocupação com a poluição no local suficiente para despertar, na comunidade educativa, o interesse a respeito do assunto. A importância da percepção do ambiente e a participação da comunidade, no estudo de um ícone na cidade, servirá como “pano de fundo” para as discussões referentes aos problemas ambientais. No presente trabalho pretende-se motivar e conscientizar o educando promovendo o conhecimento e ações práticas. Orientar e desenvolver projetos de construção de jogos biopedagógicos e folhetos que motivem a pesquisa, utilizando temas ambientais ligados ao canal em questão. Durante a “Semana do Meio Ambiente”, far-se-á a culminância do projeto, com a apresentação dos jogos biopedagógicos, exposição do material trabalhado nas escolas e realização de palestras sobre o tema.
INTRODUÇÃO

Hoje, as questões ambientais fazem com que as pessoas passem a se preocupar com o ambiente no qual estão inseridas. Já não cabe mais cruzar os braços e, apenas, se apresentar como mero espectador. Há que se envolver e participar das decisões relativas ao assunto.

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN (1998, p.169) “como é possível, dentro das condições concretas da escola, contribuir para que os jovens e adolescentes de hoje percebam e entendam as conseqüências ambientais de suas ações nos locais onde trabalham, jogam bola, enfim, onde vivem?”

Ações simples como não jogar lixo nas vias públicas, não derrubar árvores, não sujar as praias são atitudes que requerem pouco comprometimento e engajamento. Para que haja reais comprometimento e engajamento, será de suma importância que os educadores desenvolvam desencadeadores motivacionais capazes de incutir nos alunos a necessidade, cada vez maior, de estarem atentos aos problemas ambientais e o gosto pelo que estão fazendo.

É imprescindível ter-se a visão de uma educação radicalmente preocupada com a informação, proporcionando aos educandos, oportunidades para se sentirem motivados, além de tomarem conhecimento do que acontece à sua volta.

Segundo DIAS (1992, p. 35), “a Educação Ambiental deveria se tornar parte essencial da educação de todos os cidadãos”. Observa-se que alguns educadores possuem projetos pouco ambiciosos, desempenhando, tão somente, o fator informativo.

No entanto, deveriam buscar caminhos mais audaciosos, como desafiar os educandos à criação de espírito científico e, com isso, se tornarem agentes de sua transformação.

Nota-se uma preocupação crescente com a qualidade de vida nas cidades, tal a complexidade dos socioecossistemas urbanos. Hoje, a proposta é envolver o cidadão, proporcionar-lhe, por meio de projetos dentro das escolas, melhoria no ambiente em que vive, transformando o educando em um cidadão participativo. Desse modo, acertadamente DIAS (2002, p. 222) considera que “os recursos didáticos devem, paralelamente, oferecer os elementos sensibilizadores capazes de despertar nas pessoas o sentimento de pertinência e permitir-lhes conhecer e compreender os fascinantes mecanismos da natureza”.

Faz-se necessário usar a motivação atrelada a temas importantes, insertos na Educação Ambiental, para que se sintam envolvidos e, assim, conduzidos a uma reflexão referente a assunto tão relevante.

Como aponta CASCINO (1999, p. 91) “o lema agir local, pensar global é constantemente desconsiderado”, entretanto, é preciso reverter tal situação. Para isso, torna-se imperioso o comprometimento das comunidades com os problemas que a envolvem, criando uma consciência do ambiente em que estão inseridas.

O tema a ser desenvolvido neste projeto busca aprofundar a compreensão acerca de uma questão que assola o bairro de Icaraí, município de Niterói, RJ. O canal da Avenida Ary Parreiras reúne poluição visual, olfativa e hídrica suficientes para despertar, na comunidade educativa, um forte desejo de estudá-lo, levantando questões importantes a respeito do assunto.

O canal da Avenida Ary Parreiras constitui alvo desta pesquisa, pois, voltando-se o olhar para o passado, quando ali corria o rio Icaraí, de águas límpidas, propícias à pescaria e observando-se o presente, encontra-se um bom motivo para o despertar da cidadania. Por isso, na busca por melhor qualidade de vida, o local vem recebendo atenção especial das autoridades municipais, preocupadas em ouvir os problemas e anseios da comunidade local, no que diz respeito ao canal.

Porém têm-se desenvolvido projetos apenas na parte estética. Não se observa preocupação, nas escolas do bairro, com o resgate da sua história, em se estudar a problemática que envolve o bairro, nem o chamamento dos educandos para o desafio de apontar soluções aos problemas ambientais diagnosticados na região.

A relevância do trabalho está na importância da percepção do ambiente, e na participação ativa desta comunidade no estudo de um ícone na cidade, fazendo do canal um pano de fundo para as discussões referentes à educação ambiental.

METODOLOGIA

Este projeto será desenvolvido com educadores do ensino fundamental (4ª e 5ª séries) do Colégio Salesiano Santa Rosa e da Escola Municipal Professor Paulo de Almeida Campos localizados nas imediações do canal.

O trabalho será iniciado a partir de levantamento feito, por questionário (em anexo), nas comunidades local e escolar do referido bairro, sendo amostrados respectivamente famílias e alunos, que indicarão sua visão e seu entendimento como objeto de estudo. O questionário levantará dados referentes à poluição à qual estão sujeitos os moradores nas cercanias do canal, bem como coletar opiniões sobre sua visão a respeito do assunto.

Com a comunidade escolar, pretende-se despertar os educandos e educadores para participarem de problemas com os quais convivem no ambiente em que vivem. Após a coleta dos dados, fruto das informações colhidas, estes serão tabulados e analisados qualitativamente e quantitativamente, com auxílio de tratamento estatístico, sendo apresentados na forma de gráficos.

A partir da apresentação à comunidade escolar dos problemas que envolvem o Canal da Ary Parreiras, buscar-se-á o engajamento desta comunidade na construção e no uso dos jogos biopedagógicos abordando as questões apontadas pelos próprios alunos nas imediações do canal, despertando-a assim, para uma maior participação e conscientização do ambiente em que estão inseridas.

A estratégia do uso dos jogos biopedagógicos atrelada a problemas ambientais locais vem criar estratégia para se despertar o interesse em assuntos locais mais próximos da realidade do aluno. O fator motivação, a originalidade, a inovação tornam-se bons facilitadores de qualquer aprendizagem.

Cabe ressaltar que o uso dos jogos biopedagógicos vem sendo desenvolvido com outros temas desde o ano de 1986 (VOLPI, 1998 e 2003) tendo apresentado resultados favoráveis na aprendizagem, indicando uma boa receptividade por parte dos alunos na execução, por desenvolver o espírito e a pesquisa científica. Assim, os resultados dessa atividade lúdica, não convencional, apontaram um crescimento de 98% na aprendizagem e 96% no interesse em relação às atividades convencionais, 88% indicando que se pode usar esta estratégia em outras disciplinas com êxito e 90% dos educandos apresentaram uma motivação desatrelada a notas ou conceitos que poderiam ganhar. Portanto, esses números foram bastante significativos da melhoria de tais alunos em seu desempenho escolar. Outros autores como DOHME (2002), também, fazem uso de jogos colocando o lúdico como motivador de temas ligados à Educação Ambiental.

Os jogos são feitos com total liberdade dos educandos, pois após escolherem um tema norteador, passam a confeccionar a caixa do jogo, as peças e o tabuleiro, por fim estipulam suas regras. É um trabalho bastante cuidadoso e executado pelos educandos em um clima de alegria, cooperativismo. Pode-se observar a satisfação dos alunos e a pressa em trazerem logo para a escola o que criaram.

Uma vez desenvolvidos os jogos, os alunos visitarão o local de estudo onde levantarão os problemas e, posteriormente apontarão as suas soluções. Em seguida, serão confeccionados folhetos para a apresentação do projeto. Um relatório final será elaborado pelos alunos, com a orientação do professor, o qual será encaminhado à Secretaria Regional do Bairro de Icaraí, a fim apresentar as soluções observadas pelos próprios alunos.

CONCLUSÃO

Espera-se contribuir para a construção do conhecimento dos alunos a fim de que os mesmos possam se apropriar do conhecimento e que tenham condições de interferir na realidade local, estimulando-os ao exercício de sua cidadania. Dessa maneira, aprenderão de forma lúdica a reconhecerem os problemas de seus bairros e a buscar formas para soluciona-los.

BIBLIOGRAFIA CITADA

CASCINO, Fábio. Educação Ambiental: princípios, história, formação de professores. 2. ed. São Paulo: SENAC São Paulo, 2000. 103 p.

DIAS, Genebaldo Freire. Pegada Ecológica e sustentabilidade humana. 1. ed. São Paulo: Gaia, 2002. 243 p.

_____Educação Ambiental: princípios e práticas. 2. ed. São Paulo: Gaia, 1992. 205 p.

DOHME, Vania; DOHME, Walter. Ensinando a criança a amar a natureza. 1. ed. São Paulo: Informal, 2002. p. 157-165.

MEC/SEF. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas transversais. Brasília, 1998. p. 169.

VOLPI, Sandra Heloísa Moreira Rangel. Exposição de Jogos Biopedagógicos. In: 5ª SEMANA DA CIDADANIA. 26 a 28 de agosto, 2003, CETEP Barreto, Niterói.

_____ Relato de Experiência: Jogos Biopedagógicos. In: 4ª JORNADA PEDAGÓGICA GAY LUSSAC, 1998, Niterói.

_____Relato de Experiência: Jogos Biopedagógicos. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 1998, Niterói.

PESQUISA COM A COMUNIDADE

1. Seu imóvel localiza-se antes ou depois da Rua Coronel Moreira César?

( ) Antes ( ) Depois

2. Qual é o tipo de imóvel?

( ) Casa ( ) Apartamento ( ) Loja

3. Em caso de apartamento, o andar é:

( ) Alto ( ) Baixo

4. O imóvel é:

( ) Próprio ( ) Alugado

5. O Sr(a) acredita que seu imóvel está sendo desvalorizado por causa do Canal da Ary Parreiras?

( ) Sim ( ) Não

6. O odor exalado pelo Canal da Ary Parreiras é algo que incomoda a sua vida?

( ) Sim ( ) Não

( ) Após as chuvas ( ) Dias muito quentes

( ) Quando está com pouco volume da água ( ) Nada percebo

7. Quando o odor mais incomoda?

( ) Após as chuvas ( ) Dias muito quentes

( ) Quando está com pouco volume da água ( ) Nada percebo

8. Qual o motivo de se ter tampado apenas parte do Canal da Ary Parreiras?

( ) Falta de verba do Município ( ) Interesse político

( ) Há imóveis mais valorizados neste trecho ( ) Outros….

quais?___________________________________________________________________________

9. Que sugestões daria para resolver de vez o problema do cheiro, visual, lixo acumulado?

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10. Que sugestões daria para a ocupação da parte coberta?

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