Mídia, você é verde? Um ensaio sobre a difusão ambiental na mídia impressa brasileira

Arquivado em: Anais do VII Encontro de EA do RJ


O Brasil ocupa uma posição estratégica no planeta com o seu potencial mineral, hidrológico e animal. A inclusão da mídia impressa em todas as fases dos processos participativos é de fundamental importância. Mídia, você é verde? Questões como a função estratégica da mídia impressa brasileira no processo de construção de cidadania e políticas públicas, o espaço dedicado ao tema ambiental na agenda dos editores, a capacitação para o jornalismo ambiental, a sociedade do espetáculo e a mídia, entre outros temas, estão sendo abordadas neste trabalho.

OBJETIVOS

O presente trabalho objetiva mapear e analisar o papel da mídia de massa impressa brasileira na difusão de temas ambientais no período de 1992 a 2002, em três eixos de reflexão: a atuação da mídia impressa brasileira como um canal de difusão ambiental; o papel estratégico do processo de comunicação ambiental em temas relevantes, como formação de opinião e fomento à cidadania e a reflexão sobre a natureza fundamentalmente “espetacular” da produção midiática sobre o meio ambiente.

Desta forma, este projeto trabalhará em torno de questões como: estará a mídia impressa de massa brasileira, atuando como produtora de espetáculos ou trabalhando em prol da democratização, do empoderamento, da participação e da educação ambiental? Qual tem sido o espaço dedicado ao tema ambiental na agenda dos editores na década 1992-2002? Existe capacitação adequada para o jornalismo ambiental? A pauta da mídia jornalística brasileira é calcada em acontecimentos acidentais e catástrofes, ou oferece continuidade no enfoque dos temas críticos importantes nas agendas ambientais brasileira e mundial para a construção de cidadania e políticas públicas?

JUSTIFICATIVA

Justifica-se este trabalho através do entendimento da mídia como ator estratégico na produção de subjetividades e de realidade. Esta produção tanto pode fomentar a participação, incentivar a discussão de pluralismos e divergências e a redução de distâncias geográficas e sociais, como pode funcionar como um canal de construção de consensos superficiais. Neste sentido, a mídia estaria atuando como representante das classes econômicas dominantes, na maioria das vezes preocupadas apenas com a manutenção de seu padrão de consumo, de forma inversamente proporcional à sustentabilidade dos recursos naturais.

Entende-se que o conceito de “Desenvolvimento Sustentável”, concebido no relatório Bruntland (1897:46) como “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades” possui quatro dimensões de aplicabilidade essenciais: ecológica, social, econômica e política. Estas dimensões, percebidas pelo homem através de diferentes canais midiáticos, interações sociais e cognitivas, alteram a realidade e são alteradas simultaneamente. Neste contexto, considera-se que a mídia não é apenas um canal de veiculação de informação: ela é produtora de realidade e de subjetividade e, portanto, um ator estratégico que pode agregar valores, trabalhar em resoluções de conflitos e facilitar processos interativos e mediações da sociedade civil com os seus diferentes públicos, com o poder do Estado e com a sociedade em geral em prol dos temas ambientais.

Vive-se hoje o cenário da globalização e da comunicação virtual em tempo “quase real”. O avanço tecnológico transforma produtos recém lançados em obsoletos, em uma sociedade consumista e consumida pelas marcas. O desenvolvimento como sinônimo de crescimento econômico e aumento do padrão de consumo, entre tantos outros fatores, fazem da sustentabilidade da vida no planeta o maior desafio da atualidade. O impacto do consumo sobre o meio ambiente continua crescente. Nunca a humanidade contou com tantos recursos tecnológicos e mídias tão abrangentes e eficientes e, ao mesmo tempo, tão poucos recursos naturais e tantas distâncias sociais.

GUIMARÃES (1994), analisando este tema em relação à América Latina, adverte para o fato de que a sustentabilidade do desenvolvimento exige, em primeiro lugar, a democratização do Estado e não o seu abandono e substituição pelo mercado.

Segundo o autor, o ponto central do desenvolvimento sustentável é a ampliação do espaço de cidadania, que, por sua vez, exige a manutenção de regimes democráticos e o aperfeiçoamento constante das instituições. No entanto,

“o sentido de consenso prévio e de harmonia apresentado por setores dominantes para a sociedade está pautado em modelos de gestão ambiental e de padrões comportamentais de grupos e elites hegemônicas, desconsiderando os conflitos e contradições inerentes à problemática ambiental, e a impossibilidade de se assegurar a sustentabilidade em um quadro de relações desiguais” REDCLIFT (1998).

Pensando sobre o primeiro eixo de reflexão deste trabalho, pergunta-se, por exemplo, quantas vezes, em que contexto e de que forma, temas como projetos ambientais multilaterais e Convenções que ratificam a importância do cuidado com a manutenção da biodiversidade, das águas e da redução dos padrões de consumo foram abordados pela imprensa de massa brasileira na década de 1992-2002? De que forma estes conteúdos foram abordados? Está a mídia impressa de massa brasileira atuando como produtora de uma realidade nacional e planetária sustentável?

No segundo eixo de reflexão, pretende-se trabalhar com as questões que definem o papel estratégico da comunicação midiática em temas como a educação ambiental, a construção de cidadania e a formação de políticas públicas. Segundo MARTÍN-BARBERO (2003), os meios de comunicação não somente descentralizam as formas de transmissão e circulação do saber, mas constituem um âmbito decisivo de socialização, de dispositivos de identificação/projeção de pautas de comportamentos, estilos de vida e padrão de gostos. Não é viável a construção de um processo democrático e participativo em um país de proporções continentais como o Brasil, onde os conflitos de interesses e diferenças sociais são tão grandes ou maiores que suas distâncias físicas sem a participação da mídia. Entende-se hoje que, para que haja participação, é necessário que todas as partes interessadas estejam envolvidas desde a etapa do planejamento, incluindo-se aí a mídia. Do contrário, planejar-se-a sobre bases que não refletem as necessidades e possibilidades de todos os stakeholders. A participação na etapa do planejamento evoca responsabilidades:

“Se o ser humano é capaz de responsabilidade para com o seu habitat é porque nele, no seu próximo, nesse território que ele chama de pátria, ele é capaz de reconhecer o mundo. Portanto, nem antropocentrismo, nem ecocentrismo, mas uma totalidade complexa feita de complementaridades e de contradições, de dissonâncias e de harmonias (Leroy, Jean Pierre. “Ecologia, Economia e Ética: pressupostos do desenvolvimento sustentável” Revista Proposta -Publicação da Fase Dezembro/Fevereiro, 2001/02, p.10).

A participação da sociedade civil no processo de tomada de decisões representa uma nova e recente abordagem, especialmente em países como o Brasil, “empedrados” em uma rígida burocracia e habituados com a centralização do poder. O processo de cidadania só se dá com o envolvimento das pessoas, quando elas acreditam em seu papel transformador da relação, quando há o empoderamento e a instrumentalização destas pessoas através de informação e de políticas públicas que as respaldem.

Como perspectiva de desenvolvimento sustentável, a participação, segundo a Estratégia Interamericana para a Promoção da Participação Pública na Tomada de Decisões sobre o Desenvolvimento Sustentável, elaborada no âmbito da Organização dos Estados Americanos (ICLEI:2002) inclui pró-atividade, inclusão de todos os atores sociais relevantes, responsabilidade compartilhada entre o Estado e a sociedade civil, abertura no processo de construção de projetos e políticas, transparência nos atos do governo e da sociedade civil e respeito pelas contribuições do público. É preciso, segundo Irving, “planejar participativamente”:

“As vantagens comparativas da participação nos estágios iniciais de concepção de um projeto de desenvolvimento são inúmeras, a começar pelo saber compartilhado da problemática local e a identificação de necessidades essenciais a serem incorporadas na visão do projeto. Da mesma maneira, o processo participativo neste estágio é capaz de nortear o timing do projeto e sua adequação ao tempo de resposta do beneficiário. Neste sentido, se abre a possibilidade de um engajamento efetivo dos diversos atores envolvidos e o desenvolvimento de uma postura pró-ativa na resolução de problemas sob a ótica da co-responsabilidade” (Irving, Marta. 1998, p.76)

É necessário encontrar uma visão de futuro comum, visando o estabelecimento de metas objetivas e criação de indicadores adequados. Esta visão só tem valor se representa todos os setores da comunidade. A diversidade de interesses leva ao conflito e o gerenciamento de conflitos requer um “um corte transversal da comunidade”, um entendimento das necessidades, hábitos, desejos e atitudes de todas as partes envolvidas. A mídia deve ser considerada neste processo complexo como um ator de fundamental importância, capaz de “mediar” conflitos de forma interativa, através de informações e esclarecimentos oportunos e estratégicos.

“A diversidade de interesses faz com que a implementação de uma visão comum seja um processo complexo. A visão deve também equilibrar os interesses de empresas, ecossistemas e de sociedades humanas. Portanto, um dos principais desafios para o planejamento do desenvolvimento sustentável é representar as diversas prioridades e, ao mesmo tempo, criar um consenso de onde possa surgir a ação.” (Knowles & Onestini . “Parcerias para o Desenvolvimento Sustentável” In: Um Guia de Boas Práticas: América Latina. IULA, I.C.L.E.I., 2003, p.33).

Não é, certamente, um cenário de fácil atuação, dadas às dimensões das regiões brasileiras, as diferenças étnicas, sociais, políticas, geográficas, econômicas, culturais e porque não dizer de linguagem e comunicação, se são registradas no Brasil 170 línguas diferentes e cada uma das etnias envolvidas traz a sua própria identidade e cultura. Entende-se que neste cenário complexo é fundamental a inclusão da mídia como um ator estratégico central processo participativo, devendo funcionar como aliada no processo de construção de cidadania, participação e educação ambiental. Neste sentido, considera-se que a educação ambiental deve ser uma educação transversal, participativa e construtiva, trabalhando no sentido de responder à complexidade e a interdisciplinaridade pertinente às questões ambientais, conforme afirmam PALOS e MENDES (2001):

“A Educação ambiental não pode se pautar apenas na transmissão dos recentes conhecimentos de ecologia, mas sim, colocar-se como estratégia de reflexão mais ampla, que nos conduza ao questionamento do modelo de sociedade em que vivemos, na qual a idéia de desenvolvimento está pautada no aumento do consumo desenfreado e no desperdício dos recursos naturais, desconsiderando a sustentabilidade das gerações futuras. As representações de grande parte da população, assim como de entidades que trabalham com esta questão, é que a educação ambiental significa “não jogar lixo na rua, “cuidar das plantas”, “não desperdiçar água”, “reciclar o lixo”, etc.

Embora essas questões sejam importantíssimas, elas só funcionarão como educação ambiental se forem remetidas à uma discussão mais ampla, com a participação dos cidadãos nas decisões da problemática ambiental, na qual sejam priorizadas as relações econômicas, políticas, sociais e culturais que influenciam decisivamente a relação entre humanidade e natureza. Caso contrário, estaremos praticando não uma educação ambiental, mas sim um “adestramento ou um treinamento ambiental”, contribuindo, dessa maneira, para que a educação exerça somente a função de perpetuar o status quo.” (PALOS & MENDES. “Problematização da Educação Ambiental através de oficina” In. Novos Instrumentos de Gestão Ambiental Urbana, EDUSP, São Paulo 2001, p.63).

Este “adestramento” ou “treinamento ambiental” será discutido no terceiro eixo de reflexão deste trabalho, que pretende estudar o caráter “espetacular” da mídia, através de imagens que refletem, mediam e são mediadas pela sociedade que consome o espetáculo. Nesta sociedade de consumo, a natureza é mais uma mercadoria, a ser contemplada ou consumida. A temática ambiental transformou-se em mais uma mercadoria para vender imagens de desastres ecológicos. O “espectador” ou leitor, separado do mundo, relaciona-se socialmente em uma sociedade mediada por imagens. Para DEBORD (1997) toda a vida das sociedades nas quais reinam modernas condições de produção se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma representação.

“A realidade considerada parcialmente apresenta-se em sua própria unidade geral como um pseudomundo à parte, objeto de mera contemplação. O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo…O espetáculo apresenta-se ao mesmo tempo como a própria sociedade, como parte da sociedade e como instrumento de unificação. Como parte da sociedade, ele é expressamente o setor que concentra todo olhar e toda consciência. Pelo fato de esse setor estar separado, ele é o lugar do olhar iludido e da falsa consciência; a unificação que realiza é tão somente a linguagem oficial da separação generalizada… No espetáculo, imagem da economia reinante, o fim não é nada, o desenrolar é tudo. O espetáculo não deseja chegar a nada que não seja ele mesmo…(DEBORD 1997, ps. 13-17).

Estaria a mídia impressa propagando então o espetáculo, o processo de veiculação e seus próprios meios? DEBORD (1997) fundamenta esta questão, versando sobre a separação generalizada do trabalhador e de sua produção com a origem do espetáculo:

“A origem do espetáculo é a perda de unidade do mundo. O sistema econômico fundado no isolamento fundamenta a técnica; reciprocamente, o processo técnico isola. Do automóvel à televisão, todos os bens selecionados pelo sistema espetacular são também suas armas para o reforço constante das condições de isolamento das multidões solitárias. O espetáculo é a linguagem comum desta separação. O que liga os espectadores é apenas uma ligação irreversível com o próprio centro que os mantém isolados. O espetáculo reúne o separado, mas os reúne como separados… Quanto mais ele contempla, menos ele vive. É por isso que o espectador não se sente em casa em lugar nenhum, pois o espetáculo está em toda parte” (DEBORD, GUY. A Sociedade do Espetáculo, Contraponto, Rio de Janeiro, p.23)

É importante que, neste contexto, considere-se ainda a posição estratégica ocupada pelo Brasil no planeta. O Brasil um país estratégico em patrimônio ambiental, com o seu potencial mineral, hidrológico e animal, conforme adverte IRVING:

“Apesar de representar uma das dez maiores economias do mundo e ser reconhecido como país emergente de notável expressão na economia globalizada, o Brasil é também ícone de desigualdades sociais, concentração de renda e de terras. Este contexto favorece uma pressão contínua sobre a base de recursos naturais e perda de identidade cultural, o que traz como consequência um universo de conflitos e desafios para o equacionamento do binômio desenvolvimento e conservação ambiental…É importante que se desmistifique o esteriótipo do país do carnaval, do futebol e das florestas no imaginário coletivo.” (IRVING:2000)

Considera-se, nesta perspectiva, a mídia como um ator central para o processo de conscientização do cidadão brasileiro com relação ao seu patrimônio. Neste sentido, a Educação Ambiental possui uma função determinante na desmitificação do esteriótipo do imaginário coletivo, trazendo reflexões e produções de novas subjetividades, capazes de munir os sujeitos envolvidos nestes processos com novas informações e conhecimentos e formar redes importantes e eficientes de atuação na temática ambiental do país.

Pretende-se, em termos de objetivos específicos, avaliar quantitativa e qualitativamente a natureza da comunicação ambiental difundida pela imprensa, através da análise sobre a produção jornalística das informações, a decodificação da informação ambiental para a população em geral, a qualidade e priorização das informações publicadas, o espaço editorial dedicado à questão ambiental, a conectividade entre os temas publicados e a agenda mundial, a relevância das informações para a educação ambiental e cidadania, bem como a relação das pautas quanto à formação de políticas públicas.

METODOLOGIA

Como perspectiva metodológica foram selecionados períodos-marco para a análise proposta: o ano de 1992 (quando da realização da ECO 92), o ano de 1995 (para averiguação das tendências do espaço e da qualidade editorial, no que poderia ser considerado como o “intervalo” entre as duas maiores conferências ambientais mundiais) e, finalmente o ano de 2002, quando da realização da Conferência de Johannesburgo (RIO+10). Optou-se por analisar as informações trimestralmente, tendo como base os meses que incluem a maior incidência de informação sobre ecologia, como junho (que inclui a Semana do Meio Ambiente), além do período de realização da Conferência de Estocolmo e da Rio 92) e setembro (Semana da Árvore). A amostra a ser analisada inclui, portanto, os meses de abril, junho, setembro e dezembro dos anos de 1992-1995-2002.

Como metodologia adotada para o tratamento das informações, pretende-se trabalhar com as técnicas de Análise de Conteúdo (AC). Acredita-se esta metodologia é indicada para análise das informações obtidas através dos meios de comunicação de massa, pois este conjunto de técnicas trabalha as comunicações, isto é, “a transferência de significações entre um receptor e um receptor”. Segundo MOSCOVICI, (Problèmes de L’ analyse de contenus in Langage, 1968), citado por Bardin:1977, p. 33):

“Tudo que é dito ou escrito é susceptível de ser submetido a uma análise de conteúdo”.

Embora existam inúmeras dimensões possíveis em uma análise, e portanto, não seja possível “esgotar o discurso, nem o gênero de resultados obtidos pela análise de conteúdo possa ser tomado como “prova inelutável”, este método de pesquisa

“Constitui uma possibilidade de ilustração que permite corrobora, pelo menos parcialmente, os pressupostos em causa” BARDIN (1977:80)

O trabalho será realizado através de textos extraídos de jornais e revistas semanais de grande circulação, em uma amostra do tipo não probabilística intencional (BERQUÓ, 1981) ou amostra selecionada, tendo em vista sua melhor adequação ao tipo de trabalho proposto (a análise da difusão ambiental na mídia impressa de massa). Este tipo de amostra pode ser retirada de um universo mediante processo seletivo deliberado, ou seja, as unidades que comporão o corpo amostral serão escolhidas intencionalmente pelo pesquisador, de forma a atender seus objetivos e metas de trabalho, segundo a regra da representatividade (BARDIN:1977) - repartição quantitativa e variação qualitativa dos conteúdos temáticos segundo os meses do ano.

Justifica-se esta escolha na especificidade do tema para cobertura ambiental jornalística, pois acredita-se que possa ser mais interessante trabalhar com uma amostra selecionada, através de veículos de massa de maior tiragem no país, do que trabalhar com uma amostra aleatória ou probabilística.

Com as mídias escolhidas e os meses do ano a serem analisados definidos, pretende-se então identificar unidades de registro e unidades de contexto, agrupando os temas dentro das categorias também pré-selecionadas, sem no entanto, deixar-se de estar atento, através de leitura flutuante, à incidência de temas que podem levar a criação de novas categorias relevantes para os propósitos da pesquisa.

Inicialmente, planeja-se identificar este conteúdo e agrupá-lo em categorias ou temas e sub-temas, tais como:

Pretende-se fazer a primeira leitura dos materiais referentes aos marcos de tempo selecionados de “forma flutuante” (BARDIN: 1977, p. 75), ou seja, de maneira aberta e intuitiva, de forma a refletir e situar um certo número de hipóteses provisórias. A partir da definição das primeiras hipóteses, intenciona-se trabalhar com a análise temática do texto, através da contagem de um ou vários temas de significação (unidades de registro e unidades de contexto), buscando-se a criação de indicadores. Unidades de registro neste caso seriam palavras, frases ou orações referentes aos temas selecionados, por exemplo, Agenda 21. Unidades de contexto seriam referências mais amplas, que contextualizem a situação da qual a mensagem faz parte (por exemplo, ocasião de uma conferência mundial ou nacional).

Na terceira fase pretende-se analisar os resultados obtidos, visando poder contribuir, através da metodologia da análise de conteúdo, para identificar não somente frequência da difusão de temas ambientais na mídia impressa de massa brasileira, mas sobretudo tendências da difusão dos temas ambientais na agenda da imprensa de massa brasileira.

RESULTADOS ESPERADOS

Conforme já mencionado, acredita-se que a mídia possui um papel de fundamental relevância para a reflexão sobre a sustentabilidade em escala global, seja no desencadeamento e na continuidade do processo de construção da responsabilidade ambiental através da difusão democrática da informação, seja na produção de realidade “sem espetacularização”, ou no processo de identificação dos problemas, devendo ser esta, portanto, considerada como um ator “chave” no processo de identificação de problemas.

A participação efetiva da mídia, pode, da mesma forma, fomentar à participação e o estabelecimento de “pontes de ligação” entre os diferentes stakeholders, elevando a capacidade de geração políticas públicas adequadas à sustentabilidade sócio-ambiental e à educação ambiental.

A pesquisa encontra-se ainda em fase preliminar, mas através dos resultados obtidos espera-se contribuir para o mapeamento da participação e do papel da mídia na temática ambiental, gerando novos conhecimentos e dados capazes de influenciar a agenda da mídia jornalística brasileira.

Bibliografia Citada

BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977.

BERQUÒ, E. S. Bioestatística. São Paulo: EPU, 1981.

BRUNTLAND. Nosso Futuro Comum. Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento- 2 ed. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1987.

DEBORD, GUY. A Sociedade do Espetáculo: Comentários sobre a Sociedade do Espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1988.

GUIMARÃES in: Por uma outra Comunicação. Dênis de Moraes(org). Rio de Janeiro: Record, 2003.

IRVING, MARTA de AZEVEDO. Desenvolvimento, Conservação Ambiental e Qualidade de Vida: Potencialidades, Conflitos e Desafios da Realidade Brasileira. Rio de Janeiro: Série Documenta N.11. UFRJ. Mestrado em Psicossociologia de Comunidades, Programa Eicos, Cátedra da Unesco de Desenvolvimento Durável, Volume VIII, 2000.

__________________________. Participação e Envolvimento Comunitário: Garantia Ética de Sustentabilidade em Projetos de Desenvolvimento . Arquivos Brasileiros de Psicologia, vol. 50. nº 4, IP, UFRJ, CNPQ, 1998, p.76.

KNOWLES & ONESTINI. Parcerias para o Desenvolvimento Sustentável. Um Guia de Boas Práticas. América Latina: IULA, I.C.L.E.I., 2003, p.33.

LEROY, JEAN PIERRE. “Ecologia, Economia e Ética: Pressupostos do Desenvolvimento Sustentável.” Revista Proposta-Fase, Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional, Rio de Janeiro: Fev 2002. p.10

MINAYO, MARIA CECILIA (Org). Pesquisa Social: Teoria, Método e Criatividade. Petropólis-RJ: Vozes, 1994.

MARTÍN-BARBERO, “Globalização comunicacional e transformação cultural“. Por uma Outra Comunicação. Dênis de Moraes(org). Rio de Janeiro: Record, 2003.

PALOS, C. e MENDES, R. “Problematização da Educação ambiental através de oficina“. Novos Instrumento de Gestão Ambiental Urbana. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2001, p.63.

REDCLIFT, M.SAGE,C. “Global Environmental Change and Global Inequality“. International Sociology. Londres: Sage, vol.13, nº 4, dez.de 1998.

Autoras:

Anais do VII Encontro de Educação Ambiental do Estado do Rio de Janeiro
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 23-25 de setembro de 2003

pp. 270 - 282

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