Meio Ambiente local: você conhece?
Arquivado em: Anais do VII Encontro de EA do RJ 2 Comentários »
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Saída 1 – Ponta Negra
A principal questão tratada nesta visita foi quanto à sujeira na areia, vinda da saída do canal de ligação com a lagoa. Também foram observadas as erosões locais conseqüentes da ação do mar e do canal. Na ponta do canal nossos alunos puderam também observar os horizontes do solo no dique de basalto. Terminado esta parte da excursão realizamos, ainda, uma caminhada até o Farol de Ponta Negra, propriamente dito para observação do litoral, assim como uma avaliação da especulação imobiliária no entorno da lagoa.
Os alunos, além de reconhecerem as belezas naturais, também iniciaram diversos questionamentos sobre o lixo na praia. Indignaram-se com a presença dos esgotos ilegais dentro do canal que por fim desembocam na praia. Alguns demonstraram claramente que se sentiam “irritados” com o descaso da população.
Embora tenham observado a destruição, tenham ficado irritados e discutidos os problemas, nesta primeira visita, não houve nenhuma ação ativa espontânea dos alunos.
Saída 2 – Restinga de São José do Imbassaí
Entre a Ponta de Itacoatiara e a Praia de Ponta Negra forma-se uma faixa arenosa com 42km de extensão de largura e altura variáveis, com trechos de vegetação típica de restinga. Nesta área podem ser observadas vegetações tais como: cactos, bromélias, espécies diversas de gramíneas e arbustos de baixo porte. Aproximando-se do mar, esta vegetação é substituída por dunas que são formadas por areias claras e grossas.
A restinga é circundada pela Pedra do Elefante, Ponta Negra, Oceano Atlântico e o complexo lagunar de Maricá, que por sua vez é formado pelas lagoas de Maricá, da Barra, do Padre e de Guarapina. Neste local foi observada uma fauna e uma flora bastante diversificada. Da mesma forma que na visita anterior, também foi observado como a especulação imobiliária tem invadido áreas de preservação ambiental levando a
destruição da mesma.
Nesta saída alguns alunos foram capazes de indicar dentre as plantas observadas quais eram típicas ou nativas, e quais eram exóticas ou teriam sido inseridas pela ação humana. Ao iniciarmos uma discussão, no local, da importância de cada elemento deste meio ambiente, nas cadeias alimentares locais, alguns alunos afirmaram que depredavam a restinga, retirando bromélias para venda aos turistas. Embora, tenham ficado extremamente constrangidos se justificaram relatando a necessidade de retirar as bromélias da restinga para auxiliar na renda familiar.
Saída 3 – Laguna de São José
A laguna de São José, com uma área de 18,74km², interliga-se com as Lagoas da Barra, do Padre, Araçatiba e de Guarapina. Esta última liga o complexo lacustre de Maricá ao oceano, na altura de Ponta Negra. Esta laguna era circundada por uma vegetação variada composta por restinga, alagadiço e Mata Atlântica. A região de Mata foi quase toda substituída por moradias. O que resta de vegetação nativa, predominantemente ao sul, apresenta uma vegetação típica de restinga e nos trechos alagadiços destaca-se a taboa, cujas folhas são usadas para tecer esteiras e cestos. As lagunas de um modo geral possuem águas mornas e com pouca transparência. A laguna do Padre, a laguna seguinte e mais próximo ao mar, apresenta uma praia propícia para banhos a de Araçatiba onde há inclusive a exploração de recreação aquática.
A visita à laguna de São José de Imbassaí foi feita numa época em que estava ocorrendo um processo de eutrofização devido a uma obra incompleta de dragagem dos canais, realizada pela prefeitura,e que deixou acumulado na boca do canal, todos os sedimentos, inviabilizando assim a recirculação da água da lagoa, o que, por sua vez, acelerou a eutrofização. Os alunos participaram ainda de um manifesto pela salvação da lagoa junto com professores, a comunidade de pescadores locais e ONG´s fazendo pressão junto à prefeitura e aos órgãos competentes (Serla, IBAMA). Esse movimento de pressão fez com que a prefeitura retirasse por completo os sedimentos restabelecendo o
equilíbrio das lagunas.
Saída 4 – recolhimento e separação de lixo na praia de Itaipuaçu
No dia mundial de limpeza das praias realizamos uma visita a praia de Itaipuaçu para o recolhimento e separação de lixo. Apesar do dia estar chuvoso cerca de 25 alunos participaram da coleta seletiva do lixo, levando sacos plásticos para acondicionamento do material recolhido. Parte do material ficou exposto na escola na semana seguinte, chamando a atenção dos outros alunos que não participaram, sendo todos unânimes ao afirmar a necessidade da limpeza não só da areia mas também de se evitar que seja jogado lixo na água, já que muitos são pescadores ou filhos destes, havendo perda de redes devido aos materiais encontrados na água.
Saída 5 – Caminhada ecológica ao Morro dos Macacos
As florestas tropicais estão incluídas entre os ecossistemas mais ricos do planeta, que, pela alta taxa de desmatamento e degradação, tem sofrido a perda de inúmeras espécies da fauna e flora. A Mata Atlântica possuía área original em torno de 1.100.000 quilômetros quadrados, ao longo da costa brasileira. Geralmente está associada a outros ecossistemas como manguezais, restingas, florestas de pinheiros e campos de altitude.
A Mata Atlântica geralmente é explorada para retirada de madeira e devastada para uso do solo em plantios e pastos. Alguns locais ainda possuem vegetação intacta, sendo então áreas de turismo ecológico.Dentre os espécimes nativos temos as bromélias, as orquídeas e ipês. A fauna é muito variada, desde periquitos,garças, morcegos e micos.
Na caminhada ecológica, ao Morro dos Macacos, nosso objetivo foi observar a Mata Atlântica que ainda está preservada, com guias mostrando a fauna típica, principalmente os micos e sua ligação com reprodução das plantas locais. A caminhada é do tipo leve, de cerca de 40 minutos até o topo, onde se visualiza uma belíssima vista do mar e da lagoa. Durante a subida recolhemos lixo deixado pelos visitantes, e discutiu-se a importância da vegetação para as pequenas nascentes da região e a manutenção da própria encosta.
Saída 6 – Visita ao marco de sesmaria no bairro de Cassorotiba
Na visita ao marco de sesmaria no bairro de Cassorotiba, onde há Mata Atlântica ainda preservada, foram discutidas questões históricas e ecológicas. Quanto às questões ecológicas discutimos aspectos ligados a nascentes de água que formam a bacia hidrográfica do município. As nascentes que visitamos, estão dentre aquelas que vão levar a formação dos principais rios do município, que por sua vez desembocam no sistema lagunar. Infelizmente não foi possível explorar melhor as possíveis questões históricas pois o professor de história não pode acompanhar esta excursão.
Alguns alunos comentaram que nunca imaginaram que a água da lagoa teria como origem as nascentes do alto da serra imaginando que estas eram compostas por águas exclusivas do mar. Outros ainda, divagaram a respeito das conseqüências da destruição das matas e por sua vez das nascentes. Estes foram capazes de construir seu raciocínio chegando a conseqüência final o “desaparecimento” da lagoa.
Saída 7 – Visita a Igreja matriz de Nossa Senhora do Amparo
Destaca-se a velha paróquia de Santo Antônio de Sá que, por alvará, em 1755, constituiu-se na atual Paróquia de Nossa Senhora do Amparo. A pedra fundamental de sua construção foi lançada em 8 de dezembro de 1788. Em 15 de agosto de 1802 a imagem da santa foi trasladada para a nova igreja saindo assim da Igreja de São José do Imbassaí, antigo Baçui uma capela do século XVI. Esta ainda será visitada pelos nossos alunos. Um aterro com mais ou menos 3 metros de altura foi erguido para proteger a igreja, na época, das cheias quando as águas avançavam para dentro da cidade. A igreja foi toda construída de pedra e barro, com paredes de rara espessura. As janelas ao alto lembram o estilo “colonial” mas seu interior já apresenta um estilo “rococó”. O altar-mor é de rara beleza e mostra bem a transição do estilo barroco para o neoclássico. O povoamento de Maricá começou no final do século XVI, efetivado pelos portugueses que haviam recebido terras em doação. O primeiro centro efetivo de população localizou-se onde se encontra o povoado de São José de Imbassaí.
Haviam, ainda, diversos núcleos de povoamento em plena atividade, destacando-se as sesmarias de Antônio Mariz, na região de São José de Imbassaí, e a de Manoel Teixeira, localizada junto à Lagoa. Um fato marcante na história do povoado foi a chegada do padre jesuíta José de Anchieta às margens da lagoa de Araçatiba, onde aconteceu a “pesca milagrosa”. A Fazenda de São Bento, fundada em 1635 pelos frades beneditinos foi outro núcleo importante e neste mesmo lugar foi construída a primeira capela da região, dedicada a Nossa Senhora do Amparo e reconhecida como paróquia perpétua em 12 de janeiro de 1755. Esta é outra excursão já planejada mas ainda não realizada. As febres palustres forçaram os colonos a mudarem-se para o outro lado da lagoa, onde estabeleceram as bases da Vila de Santa Maria de Maricá, elevada a essa categoria em 1814, e destacando-se assim das terras do Rio de Janeiro, de Cabo Frio e da Vila de Santo Antônio de Sá, às quais pertencia.
Em 1889 a Vila de Maricá apresentava um progresso tão grande que o governo resolveu elevá-la a categoria de cidade. A Lei Áurea, por outro lado, prejudicou bastante a atividade agrícola, fazendo com que a nova cidade sofresse algumas dificuldades no seu desenvolvimento.
Após a visitação a Igreja Matriz e a Casa de Cultura (antiga cadeia pública, construída na mesma época), caminhamos, com os alunos, até a Lagoa de Araçatiba, onde observamos novamente a degradação ambiental pelo esgoto doméstico e discutiuse a passagem de Darwin pelo município, como indicado no seu livro de bordo do Beagle.
Os alunos se mostravam bastante envaidecidos por saberem de tantos fatos históricos relacionados ao local onde moram. Embora envaidecidos mostram uma certa frustração pelo fato destes eventos não serem mais bem divulgados nas suas comunidades em geral.
CONCLUSÃO
Observamos que a cada vez que saíam os alunos comentavam das belezas locais e ao mesmo tempo da destruição já instalada em alguns pontos. Destacavam como importante principalmente a questão do lixo. Lembraram então que em alguns bairros não há recolhimento de lixo e que a maioria queima ou enterra o mesmo. Eles, ainda, chamaram a atenção aos pequenos córregos, transformados em valões de esgoto, pela falta de saneamento básico.
Começamos então, no retorno às salas de aula, a questionar a ação individual de cada cidadão no ambiente da escola e em seus bairros. De uma maneira muito informal iniciamos a montagem de algumas normas, que darão origem a uma agenda 21 escolar.
Outra grande conseqüência desta série de saídas foi a realização de um jornal ecológico. Neste momento este projeto está em fase de inicio da montagem dependendo da chegada dos microcomputadores que a Escola está para receber. O eixo central da redação deste jornal tem como característica de conscientização ambiental além da valorização da história local. Existe ainda a idéia de um curso pós médio em ecoturismo de modo a formar guias no município, utilizando de modo racional a natureza e levando informações a comunidade e aos turistas.
BIBLIOGRAFIA CITADA
BUTTIMER, A.A. The human experience of space and place. Croom Helm. 1974.
DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental. Princípios e práticas. Ed. Gaia;6º ed. S. Paulo, 2000.
DRUMOND, José Augusto et al. Ecossistemas em agonia. História ambiental de Marica. Versão para p ISER; 1996
LIMA, Sérgio Ricardo, et al. Educação Ambiental. Como elaborar um projeto de educação Ambiental. Ong Defensores da Terra. CREA/RJ.
MEADOWS, D. H. Harvesting onse hundredfold. UNEP/UNESCO; 1989.
PEREIRA, Paulo Affonso Soares. Rios, redes e regiões. Ed Age. Porto Alegre,2000.
SERRÃO, S.M. A Educação ambiental desenvolvida por organizações governamentais e não governamentais na região de Campinas – SP. Dissertação de mestrado.FE/UNICAMP,1995.
UNESCO. Conceitos básicos em Educação Ambiental. 1990.
AUTORES
- Aline Jardim
- Janilda Pacheco da Costa
- José Roberto Aguiar
- Sonia Peres
- Gerlinde A.P.B. Teixeira
Colégio Estadual Dr. João Gomes de Mattos Sobrinho. Endereço: Rua Apolônio Elias da Cruz s/nº – Inoã – Maricá – RJ, Tel: 2636-1226
Artigos Relacionados
Páginas: 1 2
2 Comentários para “Meio Ambiente local: você conhece?”
Deixe o seu Comentário
« VII Encontro de Educação Ambiental do Rio de Janeiro | Home | EDUCAÇÃO AMBIENTAL: uma concepção mais ampla da educação »


14:34 em 30/03/2009
a responsabildade individual é muito importante para reciclagem , pois se cada pessoa pensar em ajudar o nosso planeta à questão do meio ambiente não haveria tanta poluição
18:09 em 09/06/2009
eu queria saber o telefone da unidade escolar ?