Educação Ambiental na Universidade: estudo de caso de uma disciplina de Pós-Graduação

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RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados serão divididos pelo que foi obtido na análise documental e entrevista.

SÍNTESE DA EMENTA DO CURSO

EMENTA: Educação Ambiental. Meio Ambiente. Cidadania e Qualidade de Vida Saúde. Meio Ambiente e Desenvolvimento. Ensino e Pesquisa.
UNIDADES: Educação Ambiental e Meio Ambiente. Cidadania e qualidade de vida.Meio Ambiente e desenvolvimento.Educação Ambiental: Ensino e Pesquisa.

OBJETIVOS, PROCEDIMENTOS, TÉCNICAS, MÉTODOS: A disciplina é desenvolvida com o objetivo de proporcionar uma reflexão crítica sobre os fatores que ocasionam e/ou interferem nos problemas ambientais atuais e a necessidade da implantação da Educação Ambiental como uma possibilidade de entendimento, controle e resolução dessas questões ambientais. Para isso são utilizadas aulas expositivas (teóricas); apresentações de seminários; dinâmicas de grupo; estudos de textos; pesquisas bibliográficas; exibições de vídeos; entrevistas; atividades de observação e experimentação; trabalhos de campo.

A entrevista foi realizada com o objetivo de verificar, na prática, como a instituição aborda a Educação Ambiental, se é como disciplina, qual a sua metodologia, como é o interesse dos alunos sobre o tema. Quais são as dificuldades encontradas para a realização da temática e se possui projeto com a participação da comunidade.

O professor possui formação em Biologia e Pedagogia, e é Mestre em Educação e atualmente está fazendo doutorado em Saúde Ambiental.

Segundo ele a disciplina já existe desde 1992, através do grupo chamado “GIEA” (Grupo Interdisciplinar em Educação Ambiental) e hoje outros professores também da área de biologia, lecionam a disciplina, mas na graduação. Na pós-graduação a Educação Ambiental é inserida em dois projetos:

“Um curso de pós-graduação de ciências, que às vezes conseguimos incluir a disciplina de Educação Ambiental e o outro é de Iniciação a Docência. Existe uma disciplina para elaboração de monografia, que o aluno pode escolher a Educação Ambiental como tema, mas os alunos não se inscrevem, porque preferem fazer sua monografia na área específica da biologia”.

A opinião do professor sobre a Educação Ambiental na Universidade é a de que: “Na graduação acho necessária a ministração da disciplina, porque estaria discutindo os pressupostos teóricos, mas na educação básica, isso já foi muito discutido, seria um retrocesso ter a Educação Ambiental como disciplina. A geografia, biologia na disciplina de ciências sempre trabalhou com o meio ambiente, mas isso não é Educação Ambiental.

Aqui na universidade existe a dificuldade de montar uma grade para os cursos de pósgraduação, principalmente com Educação Ambiental.

Nem sempre a EA pode ser incluída, nos cursos, depende da disponibilidade da carga horária dos professores, pois os cursos de pós não contam como carga horária trabalhada, então vai muito da possibilidade do professor”.

Você considera importante a teoria da Educação Ambiental?

“Dentro de um projeto a Educação Ambiental é necessário. A aula teórica é importante, mas quando agente vai para campo, você começa encontrar várias conexões e percebe que a coisa é mais complexa. Surge a necessidade do auxilio de outras ciências. Já houve caso de necessitarmos até da ajuda de um “pai de santo”, pois o projeto seria realizado numa área que a comunidade fazia seus rituais religiosos. Não
poderíamos desrespeitar a crença da comunidade”.

Na conversa com o professor foi mencionado que a instituição possui um projeto com uma comunidade no Estado, mas às vezes encontra dificuldade de levar os alunos, por ser uma comunidade distante da instituição.

Quando questionado sobre a opinião de alguns autores sobre a falta de diálogo na Educação Ambiental e de que há uma confusão com o nome, Educação Ambiental, ele respondeu: “Não concordo com a falta de diálogo. Acontece o seguinte: No Brasil a Educação Ambiental começou na era da ditadura militar, onde não era permitido nenhuma manifestação social, não era permitido falar em Educação Ambiental,
no sentido mais amplo. Por isso o conceito ficou muito voltado para a ecologia, onde só se levantava a problemática da natureza. Esta idéia ficou muito forte, daí que até hoje pensam que Educação Ambiental e Ecologia são a mesma coisa”.

Sobre a nossa legislação ele acha que: “Como tudo que é novo, precisa ser mais elaborado com o tempo. A legislação é importante, mas sozinha não conta”.

Qual a bibliografia utilizada? E adotada?

“Existem várias bibliografias clássicas como é o caso do livro de Genebaldo, mas não dá para trabalhar somente com os livros de Educação Ambiental, é necessário muitas vezes buscar o auxílio nas outras ciências”

Como pudemos constatar nesta entrevista, a Educação Ambiental na universidade ainda, não está implantada definitivamente na Instituição, não existe ainda o tema dentro da grade curricular obrigatória em nenhum curso de graduação, depende do interesse dos alunos pelo tema para a existência da disciplina que é eletiva. Na pós-graduação existe a disciplina, quando há disponibilidade de professor com formação para lecionar. Quando a disciplina é incluída no curso, possui conteúdo metodológico dentro dos pressupostos teóricos estabelecidos nos referenciais teórico-metodológicos selecionados. São indicados vários livros clássicos sobre o tema. Há também projetos com a comunidade
sendo desenvolvidos fora da instituição com algum sucesso, apesar das dificuldades. O que existe é um interesse de um pequeno grupo, ainda, de professores que tentam através de projetos e cursos de extensão passar a dimensão da Educação Ambiental.

Como ainda é um tema em formação, existe resistência por parte da instituição, talvez até mesmo pela indefinição da melhor maneira de abordar a Educação Ambiental nesta graduação.

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