Centro de Capacitação Ambiental, instituto Terrazul, RJ

Arquivado em: Anais do VII Encontro de EA do RJ


O Centro de Capacitação Ambiental Terrazul é uma iniciativa da Organização Não Governamental Instituto Terrazul, em parceria com a Agência Alemã de Cooperação Técnica - GTZ. O Centro constitui-se em pólo gerador de conhecimento e disseminação de informações ambientais e tem como objetivo promover e potencializar a participação da população, cumprindo a missão de servir como canal dinamizador e catalisador de experiências e de possibilidades para a melhoria das condições sociais de vida.

Como Projeto Piloto do Centro temos o “Curso de Educação Ambiental para Jovens” com o objetivo de capacitar adolescentes e jovens moradores da Ilha da Gigóia e seu entorno (Área de Planejamento 4 – Barra da Tijuca e Jacarepaguá) para constituírem-se em Monitores Ambientais e Guias Ambientais, buscando contribuir para a preservação do ecossistema local e a melhoria da qualidade de vida da população. O curso em Educação Ambiental oferece a oportunidade para os 25 adolescentes e jovens conhecerem a biodiversidade local, seus ecossistemas, a importância de sua preservação, além de prepará-los para serem multiplicadores dos conhecimentos adquiridos.

Tendo como diretriz os pressupostos da Educação Ambiental Crítica e da Agenda 21 entendemos que é necessário formar jovens para a participação na gestão ambiental da cidade, bem como na utilização de variados meios que possam servir de suporte à atuação política destes jovens na escola e em sua comunidade. A formação dos jovens deverá estar vinculada à uma capacitação técnica, política e gerencial na área da Educação para a Gestão Ambiental.

INTRODUÇÃO:

O Centro de Capacitação Ambiental Terrazul é uma iniciativa da Organização Não Governamental Instituto Terrazul, sociedade civil sem fins lucrativos em parceria com a Agência Alemã de Cooperação Técnica - GTZ.

O Centro constitui-se em pólo gerador de conhecimento e disseminação de informações ambientais. Está instalado no interior da Ilha da Gigóia, no Complexo Lagunar da Baixada de Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro, e consolida informações do ecossistema local e tem como objetivo promover e potencializar a participação da população, cumprindo a missão de servir como canal dinamizador e catalisador de experiências e de possibilidades para a melhoria das condições sociais de vida.

Encarada como uma das grandes ferramentas na construção de uma sociedade ambientalmente sustentável, a Educação Ambiental tem crescido aceleradamente no país , inserida em projetos e programas governamentais e não-governamentais, sendo a base de todo trabalho realizado pelo Centro de Capacitação Ambiental.

Os pressupostos básicos da Educação Ambiental utilizados no Centro são: enfoque interdisciplinar e voltado para a resolução de problemas concretos, adaptação à realidade sócio-cultural, participação responsável e eficaz da população , interdependências econômicas, políticas e ecológicas, integração com a comunidade, complementaridade de conhecimentos teóricos práticos e de comportamento.

Tendo como diretriz estes pressupostos e em sintonia com documentos-base para a Educação Ambiental - Tratado de Tbilisi; Tratado de Educação Ambiental para Sociedade Sustentáveis – 92; A Declaração de Thessalonik; O Programa Nacional de Educação Ambiental; O Capítulo 25 da Agenda 21 - A Infância e a Juventude no Desenvolvimento Sustentável; O Capítulo 36 da Agenda 21 – Promoção do Ensino, da Conscientização e do Treinamento; Agenda 21 Brasileira - Bases para discussão; Educação para a Paz e o Meio Ambiente e Princípio 21 da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (SENADO FEDERAL,1997; MMA/PNUD, 2000; DIAS, GENEBALDO FREIRE,2000; MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE/MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO ,2001; FÓRUM BRASILEIRO DE ONGS E MOVIMENTOS SOCIAIS,1992; ; COORDENAÇÃO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL-MEC,1998) - , entendemos que é necessário formar jovens para a participação na gestão ambiental da cidade, bem como na utilização de variados meios que possam servir de suporte à atuação política destes jovens na escola e em sua comunidade. A formação dos jovens deverá estar vinculada à uma capacitação técnica, política e gerencial na área da Educação para a Gestão Ambiental (GUIMARÃES, MAURO, 1995; VIEZZER,M. L. e OVALLES O. 1995; COORDENAÇÃO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL-MEC. 1998).

Todos estes documentos buscam contribuir para que o jovem seja protagonista de sua história tendo como resultado a capacidade deste jovem de buscar e sintetizar informações para um posicionamento cidadão na sociedade. Assim, a mudança de conduta, hábitos e costumes,propiciada pela Educação Ambiental leva a que os jovens participem ativamente de ações em prol de uma sociedade justa e ambientalmente sustentável.

Dentro deste contexto insere-se o Centro de Capacitação Ambiental Terrazul, em parceria com a Agência Alemã de Cooperação Técnica – GTZ, cuja diretriz político –Institucional baseia-se nos pressupostos da Agenda 21, no que se refere à promoção do direito à informação para a tomada de decisão. Esta diretriz norteia as estratégias do Centro quais sejam:

Oferecer às comunidades, indivíduos e grupos locais bases necessárias para a discussão, definição, acompanhamento e tomada de decisões responsáveis acerca de politicas públicas;

Disseminar conceitos e valores voltados para a construção do desenvolvimento sustentável na região.

Como Projeto Piloto do Centro temos o ” Curso de Educação Ambiental para Jovens” com o objetivo de capacitar adolescentes e jovens moradores da Ilha da Gigóia e seu entorno para constituírem-se em Monitores Ambientais e Guias Ambientais, buscando contribuir para a preservação do ecossistema local e a melhoria da qualidade de vida da população. O curso em Educação Ambiental oferece a oportunidade para 25 adolescentes e jovens conhecerem a biodiversidade local, seus ecossistemas, a importância de sua preservação, além de prepará-los para serem multiplicadores dos conhecimentos adquiridos.

Paralelo as atividades de capacitação em sala de aula, são realizados levantamentos de campo e sistematizado em banco de dados informatizado. Os dados sistematizados (textos, tabelas, mapas e imagens) ajudarão na realização da segunda etapa do projeto que constitui-se na capacitação ou comunicação a distância, através da internet, monitorado pelos próprios jovens, para as várias comunidades de baixa renda na orla da lagoa que já possuem computadores em suas associações e escolas públicas e particulares da região.

O Centro de Capacitação implantado possibilitará o acesso as diversas informações obtidas durante a fase de pesquisa e dará visibilidade para o processo agressivo de degradação ambiental que as lagoas vem sofrendo.

Os jovens estão sendo preparados também para serem os promotores e responsáveis pela elaboração de novos projetos a partir desta capacitação. A estrutura de formação dos Monitores e Guias Ambientais conta com aulas práticas através de um Barco-Escola, podendo ser futuramente utilizado nos fins de semana como transporte para excursões turísticas, atividade que ajudará na manutenção do próprio barco.

METODOLOGIA:

As diretrizes teórico-metodológicas do Curso são pautadas pelas contribuições do Construtivismo (INTERMÉDIO. CADERNOS CEALE, VOL.1, ANO 1. 1996), da Pesquisa Participante ( CHIZZOTTI, ANTONIO. 1991) e Pesquisa-Ação ( THIOLLENT, MICHEL, 1994) e da História Oral (THOMPSON, PAUL. 1992). Quanto à metodologia de capacitação de multiplicadores são utilizados a Proposta de Participação-Ação para a Construção do Conhecimento - PROPACC ( COORDENAÇÃO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL-MEC. 1998) e o Mapa Conceitual (GUERRA,ANTONIO FERNANDO. 2000).

As diretrizes das ações educativas estão alicerçadas nos seguintes referenciais teóricos: Estudo de Caso, Estudo do Meio, Método de Processo (BIROU, ALAIN,1973; DICIONÁRIO DE CIÊNCIAS SOCIAIS/FGV, 1986). Diversificadas técnicas são utilizadas, de acordo com as finalidades das ações educativas. Estas técnicas, bem como os instrumentos de suporte das mesmas, são objeto de contínua adequação e avaliação, de acordo com a conjuntura e processo de desenvolvimento do grupo. Apresentamos a seguir, as técnicas já indicadas para a concretização dos objetivos das ações educativas: Conversação Dirigida , Debate, Diário de Bordo, Exploração do Ambiente Local, Jogos de Simulação, Leitura Dirigida, Mutirão de Idéias, Observação Dirigida, Pesquisa, Reportagem, Seminário, Trabalho em Grupo (BORDENAVE E PEREIRA, 1982; MARTINS,1982; BIROU,1973; DICIONÁRIO DE CIÊNCIAS SOCIAIS/FGV, 1986).

Os conteúdos são sistematizados a partir de Núcleos Conceituais: Protagonismo Juvenil, Meio Ambiente, Saneamento Básico, Ecossistemas, Complexo Lagunar, Manguezais, Restingas, Recursos Hídricos, Impactos Ambientais - e os Temas Geradores - Grupo, A Ilha da Gigóia, Informação Ambiental, Coleta Seletiva.

Contemplando também Oficinas temáticas.

Estes conteúdos estão divididos da seguinte forma:

Quadro 1: Conteúdos do ” Curso de Educação Ambiental para Jovens”

As Oficinas, possuem suas metas apresentadas como produtos elaborados pelos alunos, sob a supervisão dos educadores. Estes produtos serão sistematizados e organizados num sistema de informações ( “Banco de Dados”) base do SITE, que embreve estará sendo disponibilizado ao público, notadamente aos jovens da região.

Estes PRODUTOS estão listados a seguir:

RESULTADOS:

O projeto vem apresentar resultados altamente satisfatórios, tanto no que se refere aos conhecimentos adquiridos pelos jovens, como pela atuação deste jovens na comunidade da Ilha da Gigóia e em suas comunidades e escolas. Os jovens estão elaborando um Projeto de Coleta Seletiva de Lixo para a Ilha; Jogos Ambientais com ênfase na questão dos recursos hídricos da Baixada de Jacarepaguá; Vídeo sobre a uestão ambiental na Lagoa da Tijuca e planos de ação para suas comunidades e escolas. Além disso, os jovens estão produzindo textos para o Site do Projeto.

A partir das atividades já realizadas tem-se os seguintes produtos:

Estamos em fase de formação de parceria com a 7ª Coordenadoria Regional de Educação da Cidade do Rio de Janeiro, com vistas à participação dos jovens e suas escolas no processo da Conferência Nacional de Meio Ambiente.

DISCUSSÃO:

CARACTERIZAÇÃO DOS CENTROS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL

A partir da formação da Rede Nacional de Centros de Educação Ambiental, inicia-se uma reflexão teórica acerca da estruturação dos Centros de Educação Ambiental no Brasil. A Rede de CEAS parte da concepção de que os Centros de Educação Ambiental teriam como indicadores para formação de sua identidade: a existência de Edifício-sede (infraestrutura, espaços e recursos materiais); Equipe Educativa (de caráter multidisciplinar e atuação interdisciplinar) e Projeto Político-pedagógico (missão, objetivos e princípios, descrição das atividades, delimitação do público, procedimentos metodológicos, formas de avaliação da equipe e do próprio CEA). A estruturação do Centro de Capacitação Ambiental Terrazul levou em consideração a discussão sobre estas três dimensões, procurando (inserir texto avulso feito)

De acordo com estudos de Fabio Deboni Silva e Marcos Sorrentino (disponíveis no site da Rede CEAS - www.redeceas.esalq.usp.br/rede01.htm) , reflexões teóricas acerca dos Centros de Educação Ambiental no Brasil são escassos. Os autores propõem uma tipologia, com o objetivo de iniciar um debate sobre estes Centros que possam subsidiar a elaboração de concepções de CEAs que abranjam a diversidade dos Centros existentes no país: 1. Centros de Interpretação; 2. Centros de Referência; 3. Centros de Informação; 4. Centros de Formação; 5. Centros de Elaboração/Execução de Projetos; 6. Centros de Mobilização Comunitária; 7. Centros Rurais Agroecológicos; 8. Museus, Zoológicos, Jardins Botânicos, Parques Urbanos.

A partir desta tipologia, e tendo em vista os objetivos principais do Centro de Capacitação Ambiental Terrazul - Difundir/Transmitir informações/conhecimentos da área ambiental, Elaboração e execução de projetos e programas de Educação Ambiental e Formação de recursos humanos no campo da Educação Ambiental – podemos inserir as atividades do Centro nas Classes de Centros de Informação, cuja atividade principal é a disponibilização de informações a seu público e à Classe – Centros de Formação (com o objetivo de formação de recursos humanos). Além destas atividades, o Centro possui características relacionadas à Classe – Centros de Elaboração/Execução de Projetos (com o propósito de elaboração e desenvolvimento de projetos) .

Uma das questões levantadas nos estudos da Rede CEAS diz respeito à importância do Projeto Político-Pedagógico que, infelizmente, tem sido pouco aprofundado nos CEAS existentes. Os quesitos para este projeto seriam: - princípios e referenciais teóricos ; objetivos; público; temas e conteúdos abordados; atividades; metodologia e técnicas e avaliação. No caso do Centro de Capacitação Ambiental Terrazul, o Projeto-Piloto Curso de Educação Ambiental para Jovens, foi estruturado tendo como suporte a elaboração de um Projeto Político-Pedagógico que consistisse no suporte das atividades didáticas. Assim, as contribuições do Construtivismo , Pesquisa Participante, Pesquisa-Ação, História Oral , Proposta de Participação-Ação para a Construção do Conhecimento - PROPACC e o Mapa Conceitual dão uma característica singular e inovadora ao Centro, na medida em que suas atividades e finalidades são objetivamente estruturadas, a partir de referenciais teórico-metodológicos explícitos. A equipe técnica define e elabora de forma sistemática os métodos e técnicas utilizados , os conteúdos abordados e os indicadores de monitoramento e avaliação em que teoria e prática são elementos constituintes de um mesmo processo de ensino-aprendizagem.

Segundo estudo da Rede CEAS (LONDRES, SILVA, e SORRENTINO, 2002), os ” CEAs geridos por ONGs são, de uma forma geral, os que realizam a maior diversidade de atividades e os que mais desenvolvem projetos de forma continuada, normalmente projetos mais comprometidos com os ideais de cidadania e sustentabilidade” . Esta afirmação é procedente no caso do Centro de Capacitação Ambiental Terrazul , na medida em que toda a configuração de suas ações se pautam pelos pressupostos da Agenda 21 e dos Tratados de Educação Ambiental .

CONCLUSÃO:

A partir das atividades realizadas percebe-se a importância do Centro de Capacitação Ambiental Terrazul para a discussão e construção do desenvolvimento sustentável da região da Baixada de Jacarepaguá.

O Centro vem se estruturando a partir da disponibilização de recursos do Instituto Terrazul como: experiência acumulada em projetos comunitários; infra-estrutura; equipe qualificada tecnicamente; inserção local e conhecimentos sistematizados sobre a realidade sócio-cultural da região da Baixada de Jacarepaguá.

Bibliografia Citada

Agenda 21. Brasília. Senado Federal. 1997.

Agenda 21 Brasileira Bases para Discussão. Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional. MMA/PNUD. Brasília. 2000.

COORDENAÇÃO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL DO MEC. A implantação da Educação Ambiental no Brasil. Brasília-DF. 1998

BIROU, Alain. Dicionário de Ciências Sociais. Lisboa.D.Quixote.1973.

BORDENAVE, Juan Diaz e PEREIRA, Adair Martins. Estratégias de Ensino-Aprendizagem. Petrópolis. Vozes.1982.

CHIZZOTTI, Antonio. Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais. São Paulo, Cortez, 1991.

DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental. Princípios e Práticas. São Paulo. Editora Gaia.2000.

Dicionário de Ciências Sociais. Rio de Janeiro. Fundação Getúlio Vargas, 1986.

Educação Ambiental. Curso Básico a Distância. Brasília. Ministério do Meio Ambiente/Ministério da Educação. 2001.

GUERRA, Antonio Fernando. Mapa Conceitual como estratégia para organização do processo de Aprendizagem Cooperativa, para leitura e estudo. Mimeo, 2000.

GUIMARÃES, Mauro. A Dimensão Ambiental na Educação. São Paulo. Papirus Editora.1995.

Intermédio. Cadernos Ceale, vol.1, ano 1. Construtivismo: grandes e pequenas dúvidas. Belo Horizonte, 1996

LONDRES, Flávia Cunha ; SILVA, Fábio Deboni e SORRENTINO, Marcos. ” Um estudo sobre Centros de Educação Ambiental no Brasil” , in Rev. eletrônica Mestrado Educação Ambiental ISSN 1517-1256, Volume 09, julho a dezembro de 2002

“O que são Centros de Educação Ambiental.” Disponível em www.redeceas.esalq.usp.br/rede01.htm

SILVA Fábio Deboni e SORRENTINO, Marcos. ” Centros de Educação Ambiental no Brasil: Movimento Singular ou Plural?” . Disponível em www.redeceas.esalq.usp.br/rede01.htm

SILVA, Fábio Deboni e SORRENTINO, Marcos. ” Considerações gerais sobre Centros de Educação Ambiental (CEAs) no Brasil“. Disponível em www.redeceas.esalq.usp.br/rede01.htm

THIOLLENT, Michel. Metodologia da Pesquisa-Ação. Sâo Paulo, Cortez. 1994.

THOMPSON, Paul. A voz do Passado. História Oral. Rio de Janeiro. Paz e Terra. 1992

Tratado das ONGs. Rio de Janeiro. Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais. 1992.

VIEZZER,M. L. e OVALLES O. Manual Latino-Americano de Educação Ambiental. São Paulo. Gaia. 1995.

Autores:

Anais do VII Encontro de Educação Ambiental do Estado do Rio de Janeiro
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 23-25 de setembro de 2004

p. 369 - 180

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