Aula passeio virtual no entorno da Baía de Guanabara, RJ

Arquivado em: Anais do VII Encontro de EA do RJ 2 Comentários »


Diante da degradação ambiental no entorno da Baía de Guanabara urge a necessidade de apresentar aos educandos os resultados das ações que afetam de forma avassaladora o meio ambiente e a saúde pública. Considerando que a utilização dos recursos informacionais é o modo mais moderno e rápido de aproximar os educandos desta realidade, implementamos o projeto Aula Passeio Virtual, fundamentada na aula-passeio de Freinet no entorno da Baía de Guanabara. Para que os alunos do Ensino Médio, por meio da pesquisa, diante das novas descobertas construam uma reflexão crítica, saibam implementar ações transformadoras e sejam disseminadores da educação ambiental. Contudo apenas apresentar a degradação aos alunos não contribuiria de forma significativa para o processo de construção do conhecimento acerca de assuntos ambientais e para o desenvolvimento da sensibilidade socioambiental nestes. Em virtude destes fatos, o presente trabalho será conduzido a partir da abordagem indutiva, já vez que este tipo de pesquisa supõe o contato direto entre o pesquisador e a situação que está sendo investigada, possibilitando a conscientização e a tomada de decisões (sejam estas de ordem corretiva ou preventiva). Para criar e montar a aula passeio virtual serão feitos estudos com várias estratégias: Coleta e análise de dados; identificação da área em estudo e levantamento dos problemas ambientais no entorno da Baía. Desse modo, consideramos ser a educação ambiental através da aula-passeio virtual um projeto de estudo capaz de fazer emergir nos estudantes um sujeito interativo, construtivo, criador e crítico, capaz de perceber, analisar, avaliar e tomar decisões importantes diante das questões ambientais.

INTRODUÇÃO

Desde a época da ECO-92, os ambientalistas ressaltavam as necessidades de investimentos urgentes para saneamento e recuperação da baía. Em 13 de abril de 1992 o Jornal do Brasil, num caderno especial sobre Ecologia, publicava a seguinte notícia abaixo:

“Brasília – Às vésperas da realização da mais importante conferência mundial sobre o meio ambiente, o BID resolveu investir pesado na melhoria das condições ambientais no Brasil, aprovando, num só pacote, empréstimo no valor de US$ 1,059 bilhão. Este dinheiro será aplicado em quatro projetos destinados à melhoria das condições de saneamento e dos níveis de poluição ambiental no RJ, CE, SP, e RS. No Rio, o valor do financiamento do BID será de US$ 267 milhões para a despoluição da baía de Guanabara. A meta é reduzir em 30% o total de esgotos não tratado e fornecer água potável a pelo menos 300 mil famílias, além de realizar obras de drenagem para combater enchentes que afetam as comunidades nas áreas vizinhas à baía.” Carlos Max e Cleber Praxedes.

Até hoje pouco foi feito. Os políticos passam, as necessidades aumentam e ficamos na mesma situação. KONDER, (JB. 2003 p. 06) nos dizia “Quando nos acostumamos a ver o que se passa em volta e achar que tudo é “normal”, deixamos de enxergar as “anormalidades”, deixamos de nos assustar e de nos preocupar com elas”. Este é o grande problema, estamos nos acostumando a ver as irregularidades e a conviver com elas. É necessário que se faça um programa de capacitação para tomada de consciência sobre a necessidade de fiscalização e mudança de hábitos para se evitar os problemas. O melhor lugar para transformação é dentro de uma instituição de ensino, com projetos de estudos que motivem as mudanças e ensinem a fiscalizar as atitudes.

Para dar conta destas situações relatadas mostraremos como criar a aula passeio virtual utilizando material de jornais, internet e outros veículos de comunicação de massa para identificação, problematização e conscientização das questões ambientais no entorno da baía de Guanabara.

Dando fundamentação teórica a este trabalho estaremos dialogando com vários interlocutores:

Com FREINET (apud. Elias: 1999 p. 35) que orienta a pesquisa em um aula passeio propondo um papel especial para alunos, professores e escola, mostrando que a escola deve colocar meios à disposição dos alunos para que estes, possam organizar, sistematizar, enriquecer ou ampliar as suas experiências, criando situações desafiadoras que despertem a curiosidade e os levem não só a pensar, mas procurar resolver as situações pesquisadas e analisadas. Observando o comportamento de seus futuros alunos, dentro e fora da sala de aula, ele criou a aula-passeio. Andava pelas ruas com seus educandos, passeando, conversando, pesquisando, anotando e desenhado tudo que era observado na natureza e registrando as transformações que nela ocorriam. Com esse material coletado, produziam o Livro da Vida (apud: Multieducação, p. 99 ), onde eram registrados, além dos fatos vivenciados e suas inter-relações com o meio, as emoções do cotidiano. A apatia e o desinteresse foi cedendo lugar ao entusiasmo, a paixão do fazer e para fazer. Para divulgar os resultados, alunos e professor, criaram a Imprensa Escolar, um jornal cuja leitura era compartilhada com amigos e familiares na aldeia da escola. Assim a Pedagogia Freinet (in: Elias p.42) é vista como uma prática coletiva tendo com principal objetivo a compreensão crítica da realidade e a ação participativa na transformação.

Hoje, quase 100 anos após a experiência vivida por Freinet, ainda sentimos a necessidade de motivar e transformar a apatia e o desinteresse do cotidiano, por algo que dê mais vida a vida do cotidiano escolar, despertar a emoção frenética pelo conhecimento, e o aluno sendo o autor e criador do seu conhecimento pelaexperimentação e reflexão do seu fazer.

Hoje, com tantos recursos tecnológicos disponíveis, podemos utilizar a aulapasseio virtual para provocar no educando o interesse pelo tema pesquisado, para fazer as observações, correlações e comparações entre fatos e fotos publicados pelos veículos de comunicação de massa como jornais, revistas e internet, veiculando as imagens encontradas, registrá-las no Livro do Aluno e compartilhar os resultados pela Imprensa Escolar Virtual, motivando assim um outro olhar sobre o processo de aprendizagem, construindo um conhecimento sobre os assuntos abordados. Adaptamos a metodologia de Freinet, do início do século XX ao mundo globalizado, informacional e interativo destes dias.

Com FREIRE (1999) que diz que o melhor caminho para formar um cidadão crítico, ético e político é pela identificação e compreensão do seu meio ambiente. Uma condição básica para ser cidadão, é ser sujeito de sua própria vida e isto o aluno consegue quando as instituições de ensino criam projetos participativos, onde os alunos criando, aprendam e apreendam o conhecimento, amenizando as distorções entre conhecimento teórico e prático, entre ensino e aprendizagem.

“A realidade social, objetiva, que não existe por acaso, mas como produto da ação dos homens, também não se transforma por acaso. Se os homens são os produtores desta realidade e se esta, na “inversão da práxis”, se volta sobre eles e os condiciona, transformar a realidade opressora é tarefa histórica, é tarefa dos homens…assim é que se dá o reconhecimento que engaja, a educação como prática da liberdade, a educação libertadora.” FREIRE (1999, p. 37).

METODOLOGIA

O presente trabalho será conduzido a partir da abordagem indutiva e qualitativa, uma vez que este tipo de estudo e pesquisa supõe o contato direto entre o pesquisador e a situação que está sendo investigada e criada, numa dialética do real e o concreto para o virtual, para que a partir do que se vê e do que se sente, saber o que fazer diante da situação vista. Estas reflexões permite o educando aguçar o seu olhar para maior exploração dos problemas, buscar as suas causas e seus efeitos, estabelecer as generalizações e aplicar as leis e princípios entre os fenômenos e fatos ambientais.

Os conceitos construídos por esta reflexão crítica darão maior segurança ao grupo que, estimulado pelo pensar, emita as suas opiniões e explique as reais dimensões e inter-relações do meio ambiente e tenha possibilidades de fazer um trabalho de conscientização da população para melhorar a qualidade de vida da comunidade deste meio ambiente.

Para criar e montar a aula passeio virtual sobre o meio ambiente, serão feitos estudos com várias estratégias a saber:

1º. Coleta de dados = neste momento os alunos já podem, ao mesmo tempo que vão fazendo a coleta e análise de dados sobre a situação natural, identificar a ordem dos problemas ambientais, ver como ação antrópica contribui para a degradação ambiental e, assim procedendo, vai se conscientizando sobre a necessidade de transformar para preservar. Há sites da FEEMA e da SERLA sobre o Programa de Despoluição da Baía da Guanabara, PDBG, revistas da CREA – RJ com publicações bimestrais e a Revista JB Ecológico, com publicações mensais, contendo excelentes materiais para pesquisa virtual e real.

2º Identificação da área em estudo = localizar geograficamente a baía, conhecer a formação geológica, a situação morfoclimática, os rios que aí desembocam, a fauna e a flora da área.

3º Levantar os problemas ambientais tais como :

Esta pesquisa qualitativa será feita com observações, representações, análise de textos de artigos e fotos publicadas em jornais, divulgados e disponibilizados via internet, através da conexão com diversos sites afins que servirão de fonte, motivação e confronto para a pesquisa científica:

  1. www.baiadaguanabara.com.br (Um mergulho na História da Baía da Guanabara 500 anos)
  2. telemar.com.br (Mostra Baía da Guanabara – Espelho do Rio)
  3. metrorio.com.br ( Mostra Fotografia SOS H2O)
  4. www.ecoviagem.com.br. e outros links…

Podem ser montados mapas conceituais e gráficos referentes aos problemas destacados utilizando diferentes procedimentos da metodologia científica, como o método indutivo e o método histórico; formulação de hipóteses sobre a problematização, causas e consequências dos fatos e fenômenos.

CONCLUSÃO

Consideramos que a educação ambiental feita através da aula-passeio virtual um projeto de estudo capaz de fazer emergir nos estudantes um sujeito interativo, construtivo, criador e crítico, que o faça perceber, analisar, avaliar e tomar decisões importantes diante das questões ambientais.

Este tipo de pesquisa e estudo obriga-nos a levar em conta a dinâmica escolar, as ações professor-aluno, aluno-aluno na sala de aula e dentro da escola, num trabalho cooperativo, coletivo e experimental, envolvendo ainda o cognitivo, o afetivo e o emocional, o que desperta nos aprendizes o mesmo interesse e entusiasmo que Célestin Freinet despertou nos seus alunos.

Já estamos cansados do mesmo tipo de aula. Há necessidade de mudanças urgentes para que os nossos educandos, tendo uma educação libertadora, se tornem críticos e criativos onde o aprender a fazer, o aprender a ser e o trabalho em equipe fará parte do cotidiano escolar, um marco para as competências, para a autonomia, e posteriormente para a qualidade ética, moral, cidadã e profissional de nossos alunos.

Bibliografia Citada

ELIAS, Marisa Del Cioppo. Célestin Freinet: Uma pedagogia de atividade e cooperação.- 3ª ed. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1999.

FREIRE, PAULO. Pedagogia do Oprimido. 27ª. ed. – Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.

Secretaria Municipal De Educação DO RIO DE JANEIRO. MULTIEDUCAÇÃO – Núcleo Curricular Básico. Rio de Janeiro, 1996.

KONDER, Leandro – Acostumar-se a tudo – Jornal do Brasil, Caderno B, p. 06, 26/06/03.

AUTORES

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2 Comentários para “Aula passeio virtual no entorno da Baía de Guanabara, RJ”

  1. Teresinha Victorino
    10:26 em 20/05/2008

    Apesar de toda polêmica em torno do site.. achei uma ótima idéia e mais uma opção para os educadores, que se sentem incapazes de fazer um trabalho voltado à E.A.
    Quanto à matéria acima, achei bem interessante, só lamentei o fato de ter conseguido abrir o link
    http://www.baiadaguanabara.com.br, para poder viajar mais.

  2. Declev Dib-Ferreira
    19:30 em 20/05/2008

    Oi Teresinha, bem-vinda e obrigado.

    Eu também não consegui abrir este link.

    Mas, para mais informações, pode visitar meu saite, o http://diariodoprofessor.com.

    À direita da tela você verá uma série de links para as mais diversas fontes de informação sobre meio ambiente.

    Um deles é o

    http://www.portalbaiadeguanabara.com.br/sitenovo/

    da ONG Instituto Baía de Guanabara, onde trabalho, sobre a Baía de Guanabara.

    Outro, bem interessante, é o

    http://portalgeo.rio.rj.gov.br/EOUrbana/

    no qual você encontrará muitas imagens de um Rio antigo e de uma Baía de Guanabara que nunca mais veremos.

    Divirta-se e volte sempre,

    Declev

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